Ayman Sikseck quer continuar a viver em Israel

O testemunho de um israelita de ascendência palestiniana que escreve em hebraico para poder comunicar com todos (Ler mais | Read more…)

O autor de "To Jaffa", um romance em hebraico muito popular em Israel. © Cortesia de Ayman Sikseck | Courtesy of Ayman Sikseck

O autor de To Jaffa, um romance em hebraico muito popular em Israel
© Cortesia de Ayman Sikseck | Courtesy of Ayman Sikseck

Nascido na “cidade multinacional e multilingue de Jaffa”, o escritor Ayman Sikseck confessa angústia com as propostas de uma nova lei de nacionalidade em Israel e os crescentes ataques, físicos e verbais, de que ele a sua família têm sido vítimas. Devias estar agradecido por te deixarem viver aqui, seu filho da p***”. Faremos crematórios para todos os árabes e queimá-los-emos vivos. (Excerto de um ‘post” que o autor colocou no seu mural, aberto ao público, no Facebook).

A lei da nacionalidade – várias versões propostas pela coligação de Benjamin Netanyahu e às quais que se opôs o Presidente Reuven Rivlin – “é perigosa porque atraiçoa a sociedade israelita, em geral, não apenas os árabes”, afirma Sikseck, numa troca de mensagens por e-mail.

“Em Israel há uma multitude de origens: russos de ascendência judaica e não judaica, drusos, beduínos, imigrantes sudaneses – todos participam na sociedade israelita como membros activos. A definição do que significa ser israelita vinha a expandir-se para incluir mais indivíduos. A lei da nacionalidade visa reverter isto, ao proclamar uma só definição para israelita: a religião judaica.”

“A situação piorou dramaticamente no último ano”, lamenta. “O racismo parece já não envergonhar ninguém. Há pessoas orgulhosas por serem racistas. Confundem ódio aos não judeus com patriotismo. Não houve qualquer condenação por parte do primeiro-ministro, e se ele não condena quem deseja a morte, a mim e à minha família – e meses depois propõe uma lei que considera o país o Estado do povo judaico – está a sequestrar Israel.”.

O que distingue Sikseck de outros escritores de origem palestiniana é a língua: exprime-se em hebraico. “Aprendi o árabe e o hebraico desde criança. Como? Não me recordo, tal como ninguém se lembra de como aprendeu a língua materna. Escrever em hebraico foi um instinto natural e uma decisão política. As questões que abordo – identidade, nacionalidade, individualidade e raça – são as que me permitem comunicar com todos os israelitas. Preciso de falar hebraico para me fazer entender por judeus e árabes. Se a lei da nacionalidade tenta retirar-me a identidade israelita, há algo de que não me pode privar: eu ser um escritor israelita.”

Tenciona Sikseck deixar Israel, à semelhança de Sayed Kashua, outro escritor palestiniano israelita que também escreve em hebraico e se mudou para os EUA? “Não”, responde o admirador de Ghassan Kanafani e David Grossman.

“Apesar da crescente ansiedade e do desespero face à ascensão da extrema-direita e de ter visto a brutalidade em Gaza no Verão passado [2014], esta é a minha casa. Não há outro lugar no mundo onde a minha escrita pudesse ser tão poderosa e controversa. Por isso, se alguma vez partir, será com a intenção de um dia voltar.

© Cortesia de Ayman Sikseck ‹ Courtesy of Ayman Sikseck

© Cortesia de Ayman Sikseck | Courtesy of Ayman Sikseck

Este artigo foi publicado originalmente no jornal EXPRESSO, em 20 de Dezembro de 2014 | This article was originally published in the Portuguese newspaper EXPRESSO, on December 20, 2014

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