Eu e outros | Me and others

Photo 1 MSL- 1979

Início de carreira, na agência noticiosa ANOP (agora Lusa), em 1979, o ano da Revolução Islâmica no Irão. | Beginning of my career in the former Portuguese news agency ANOP, in 1979, year of the Islamic Revolution in Iran.

Este é um espaço de partilha de algumas fotos e experiências de viagens de trabalho, mas também avaliações dos meus livros. Obrigada a todos os que reconheceram os meus esforços para entender melhor pessoas e lugares tantas vezes incompreendidos, devido a preconceitos e/ou estereótipos.

This is a space where I share photos and experiences of part of my work assignments, and some reviews of my books. I am thankful to all who recognized my efforts to better understand peoples and places so often demonized due to prejudice and/or stereotypes.

MSL-Irao_Net copy

Teerão, Junho 1989 | Tehran, June 1989

Adeus Khomeini 

Junho de 1989, ao serviço da agência noticiosa Lusa, fui ao Irão, pela primeira vez. O Ayatollah Khomeini morrera no dia 3 e eu deveria fazer a reportagem das cerimónias fúnebres.

Era um tempo em que as mulheres ainda se arriscavam a ver o bâton arrancado com as lâminas que não barbeavam os homens, e o hijab (lenço) não deveria deixar ver um só fio de cabelo, para que eu pudesse ”entrar no paraíso”.

Sob as calças, usava meias negras opacas – não podia mostrar os tornozelos, outra “parte pecaminosa”.  Para “ocultar todas as formas do corpo”, era necessário ainda uma longa gabardina – nem sequer me imaginava envolta num chador preto.

A temperatura subiu a quase 50 graus centígrados. Tapada da cabeça aos pés, desidratei e desmaiei. Foi necessária uma equipa médica (de homens) ir buscar-me ao hotel (onde estavam alojadas apenas mulheres, parte de um grupo de jornalistas, segregados à chegada). Fui observada num hospital e forcei-me a recuperar,  em dois dias, com soro e fruta cozida. Só havia um voo por semana para a Europa, e eu não queria, de todo, perder o meu.

Horas antes vivera momentos de pânico. O primeiro “susto” aconteceu a bordo de um helicóptero, em direcção ao cemitério de Behesht-e Zahra, a sul da capital iraniana, onde foi sepultado o teólogo que derrubou a monarquia. Sussurrei uma prece, implorando que não nos despenhássemos: vendido pelos EUA ao último Xá Pahlavi, o obsoleto aparelho tinha no interior uma faixa onde se lia Down with the USA e a viagem foi tumultuosa.

No recinto do que seria o futuro mausoléu do Supremo Líder, concentravam-se milhares e milhares de pessoas. Os gradeamentos não continham a multidão, borrifada por jactos de água vindos dos céus. Homens, velhos e novos, seguindo os rituais xiitas do martírio, autoflagelavam-se. O sangue misturava-se com suor – e lágrimas de mulheres e crianças, num pranto incontido.

Foi “aventura”, talvez mais do que reportagem,  dificultada por restrições impostas pelo regime. De regresso a casa, depois de mais de uma semana a comer arroz branco e frango (o país enfrentava, na época, dificuldades devido à guerra com o Iraque, 1980/1988), a minha mãe reservara uma surpresa: “Como deves vir enjoada de comidas exóticas, o jantar é… frango e arroz branco”.

Teerão, Junho 1989 | Iran, June 1989

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(…) Quero na minha qualidade de Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações saudar a publicação desta nova edição do ‘Dicionário do Islão’, incentivar a sua difusão na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (…) e incitar a autora, mas também a editora, e aliás os ‘media’ em geral, a organizarem acções pedagógicas em torno deste ‘Dicionário’, por forma a que um público tão vasto quanto possível possa beneficiar do processo de instrumento de pedagogia, agora disponível, em prol do reforço das nossas democracias multiculturais e de uma cultura de tolerância e paz.

Jorge Sampaio

Ex-Presidente de Portugal e antigo Ato Representante da Aliança das Civilizações (ONU)

In: Prefácio do Novo Dicionário do Islão, 24 Junho 2010

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Não é verdade que um dicionário seja apenas e só uma obra de referência, daquelas que não se podem ler de seguida e precisam de uma dúvida prévia para que as páginas se abram. Conheço uns quantos que li de cabo a rabo e tenho alguns, relativamente recentes, ali a olharem para mim.

Por exemplo, o ‘Dicionário de Mitos’ (traduzido), de Carlos García Gual, ou o ‘Dictionary of Imaginary Places’, de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi. Outro será o ‘Novo Dicionário do Islão’, da jornalista Margarida Santos Lopes, que retoma e desenvolve em 450 páginas uma edição anterior. (…).

Num tempo em que falar ou escrever de ou sobre o Islão – muitas vezes de cor – se tornaram práticas banais e bastante frívolas, é sempre bom aprender aquilo que se não sabe, desfazer dúvidas, esclarecer mal-entendidos, estabelecer ligações impensadas, para não dizermos tolices ou pegarmos descuidadamente o fogo a explosivos.

(…) Aprende-se muito, de facto, como este ‘Novo Dicionário’. Editado com um prefácio de Jorge Sampaio, que não se esquece de o qualificar, com propriedade, como instrumento ’em prol do reforço das nossas democracias multiculturais e de uma cultura de tolerância e paz’.

Rui Bebiano

Historiador, professor de história contemporânea no Departamento de História, Arqueologia e Artes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais.

In: Blogue A Terceira Noite (O Islão na palma da mão), 26 de Outubro de 2010

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Poucas são as obras publicadas por autores portugueses sobre o Islão, e menos as que têm como preocupação central esclarecer conceitos e clarificar mitos. O Novo Dicionário do Islão, da autoria da jornalista Margarida Santos Lopes, é uma delas e, por isso, uma referência. Trata-se da reedição da obra publicada, pela primeira vez, em 2002, com um esforço de inclusão de um mais vasto número de conceitos, personalidades e referências históricas. (…)

Tendo como ponto de partida a interrogação ‘Porque é que o islão atrai e amedronta?’, a autora lista várias centenas de conceitos, personalidades, eventos históricos e lendas, que procura esclarecer tendo como base uma extensa lista bibliográfica (útil a quem pretende aprofundar os conhecimentos) e informações obtidas em entrevistas a 30 especialistas na temática do islão. O ‘Novo Dicionário do Islão’ é, por isso, uma obra a consultar, para esclarecer dúvidas e inquietações.

Ana Santos Pinto

Investigadora do IPRI – Universidade Nova de Lisboa

In:  Relações Internacionais  n.31 Lisboa set. 2011

MSL - Iran 1991

Teerão, Junho 1991 | Tehran, June 1991

Rafsanjani no poder

Em Junho de 1991, voltei a Teerão, acompanhando o então ministro português do Comércio, Faria de Oliveira, e uma comitiva de empresários, numa viagem organizada pelo antigo ICEP (actual AICEP). O Presidente era Akbar Hashemi Rafsanjani que, graças a um aumento de receitas das exportações de petróleo, se preparava para abrir a República Islâmica ao mundo.

Por esta altura, já era possível deixar o hijab descair até meio da cabeça, e muitas mulheres exibiam a sua criatividade com lenços coloridos, e de marcas de luxo, comprados em Paris ou Milão. Os rostos voltaram a maquilhar-se, alguns começando a exibir os sinais de um crescendo de operações estéticas, em particular, rinoplastias.

A “polícia da virtude” mantinha-se vigilante, sobretudo onde menos a esperavam, para chicotear ou deter “os/as “infractores/as”, mas o medo dos iranianos já se dissipava. Rafsanjani encorajava o regresso à pátria dos quadros exilados e oferecia incentivos aos investidores estrangeiros com um programa de liberalização económica.

Estaria, igualmente, a preparar o caminho para uma reaproximação aos Estados Unidos (o Ayatollah Khamenei, que sucedera a Khomeini, ainda não consolidara o seu incomensurável poder).

Mulheres de negócios lançavam projectos inovadores, como os primeiros outdoors publicitários, por exemplo, uma ideia da cristã arménia Vitoria Essavi. Os homens começavam a usar gravata e o Wall Street Journal dava conta de um aumento no volume de negócios da Gillette, indicador de que as barbas estavam a ser aparadas.

Em 1997, o ministro da Cultura, Mohammad Khatami, um reformista que dera mais liberdade aos criadores artísticos (cineastas, actores, escritores) e permitira a abertura de jornais críticos do regime, venceu inesperadamente as presidenciais de 1997. Não foram mandatos fáceis, com os ultraconservadores, guiados por Khamenei, a sabotar as suas políticas (recorrendo, inclusive, a assassínios de opositores dentro e fora do país). Em 2005, os radicais voltaram ao poder, com Mahmoud Ahmadinejad.

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 (….) Convém sempre saudar a publicação de obras como esta que, dando uma visão panorâmica do vasto universo da cultura islâmica, oferecem aos leitores instrumentos de compreensão e de respeito por esta cultura, possibilitando que a nossa curiosidade pelo Islão ultrapasse estereótipos e generalizações que, mais do que inexactas – que efectivamente o são –, representam um perigo largamente tributário do desconhecimento. É também neste sentido que o livro de Margarida Santos Lopes constitui uma aposta ganha.

David Teles Pereira

In: Ípsilon/PÚBLICO, 1 Julho 2011

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O “Novo Dicionário do Islão”, de Margarida Santos Lopes [é] uma versão corrigida e aumentada (a primeira foi publicada em 2002), onde se apresentam conceitos, personagens e histórias associadas à religião que teve origem na revelação de Maomé. Nestas páginas, Islão (fé) não é igual a islamismo (ideologia); e os islamitas (crentes) nem sempre são islamistas (combatentes da ‘jihad’). Para alguns, o termo ‘islamista’ é uma heresia linguística, mas este livro preocupa-se mais com o neologismo que caracteriza o medo e a discriminação dos muçulmanos: ‘islamofobia’ (…) Para quem pretende perceber o Islão, esta é uma obra fundamental. Para um Bahá’í, este livro é de referência obrigatória, pois ajuda a compreender o mundo e as circunstâncias em que nasceu a Fé Bahá’í.

Marco Oliveira

In: Blogue Povo de Bahá, 29 de Setembro de 2010

© Direitos Reservados | All Rights Reserved

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Abu Ammar em Tunes | Abu Ammar in Tunis

A minha primeira entrevista com Yasser Arafat aconteceu a 30 de Outubro de 1991, no dia em que começou a histórica Conferência de Madrid. Eu  fazia parte de um grupo de jornalistas europeus convidados pela ONU a avaliar o “processo de paz” israelo-árabe. A digressão levou-nos à Tunísia de Ben-Ali, ao Egipto de Hosni Mubarak, à Síria de Hafez al-Assad e à Jordânia do Rei Hussein.

Em Tunes, “o exílio do exílio”, como escreveu o poeta palestiniano Mahmood Darwish, após a expulsão forçada de cerca de 8000 guerrilheiros do Líbano em1982-84, ficámos uma tarde inteira num hotel, à espera de um encontro prometido com Abu Ammar.

Quando veio o sinal para avançar, seguimos numa coluna de automóveis, com vidros fumados, por ruelas labirínticas, até chegar ao quartel-general da OLP. Era um bairro de casas térreas. Nos passeios e nos telhados viam-se homens armados, alguns de óculos escuros, não obstante o negrume da noite. Arafat sabia que era um alvo a abater – ele próprio contou pelos menos 40 tentativas para o assassinarem.

A 1 de Outubro de 1985, por exemplo, Israel enviara oito caças israelitas até à Tunísia, reabastecendo-se em pleno voo, numa das mais longínquas missões, para arrasar com o centro de comando  de OLP nos arredores da capital. Pelo menos 24 membros da entourage de Arafat e outras 100 pessoas ficaram feridas. O “Houdini palestiniano” escapou por um triz a mais um encontro com a morte.

Naquela noite em 1991, à volta de uma mesa rectangular, com chá e tâmaras, fui escolhida para fazer a primeira pergunta. A surpresa e a responsabilidade enervaram-me. Estava ladeada por um dos principais editorialistas do jornal britânico The Guardian; à direita, e pelo editor de política externa do diário francês Le Monde, à esquerda.

Ainda hoje me interrogo por que perguntei isto: “Depois de ter, finalmente, aceitado uma solução de dois Estados, como planeia definir as fronteiras de uma futura entidade palestiniana independente, sendo que a Cisjordânia e a Faixa de Gaza estão separadas por território israelita?”

Assustei-me quando ele, silencioso durante o que pareceu uma eternidade, me fitou, de dedo em riste, para depois dar um grito: “Você é contra as resoluções das Nações Unidas?” Não consegui balbuciar sílaba.

Disparando palavras como balas do seu revólver, inseparável como o kaffiyeh e o uniforme militar, durante penosos minutos, Arafat contou toda a história do seu povo, terminando a “lição” com um lamento que sempre repetia: “Quando eu morrer, nem sequer terei um lugar para ser sepultado..”

À saída, recebi um aperto de mão caloroso. Na manhã seguinte, um recepcionista batia à porta do meu quarto para entregar um envelope com o selo branco do “Estado da Palestina”. Continha uma fotografia autografada: With my best wishes. Y. Arafat, 1/11/1991.

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Ao longo dos anos, Margarida Santos Lopes tem sido nas páginas da secção Internacional do jornal PÚBLICO uma espécie de embaixadora residente no Médio Oriente e, em particular, na questão palestiniana. Tem-no feito com uma capacidade narrativa das notícias e simultaneamente uma capacidade interpretativa e explicativa que são uma das imagens de marca da secção e do próprio jornal. (…) Tenho sido leitor infalível e testemunha privilegiada do trabalho de Margarida Santos Lopes.

Pude assim dar-me conta, sem esforço, do modo como aos poucos ela foi indo cada vez mais além, na sua tentativa de entendimento e explicação de uma questão que ocupa os noticiários internacionais, em termos diários, há décadas, tornando-se numa espécie de questão eterna e jamais resolúvel. Mais tarde ou mais cedo, pareceu-me sempre, chegaria o dia em que ela poria cá fora, de uma outra e mais elaborada forma, o resultado da sua persistência, da sua teimosia, de querer ver algo o que, aos olhos de quase todos, é nebuloso, repetitivo e confuso. Que quereria um dia ver e explicar para além das aparências adquiridas, dos princípios inabaláveis ou das verdades assentes que temos na matéria. (…)

No livro de Margarida Santos Lopes estão repetidas s questões que um leitor ‘comum’ se põe e que um leitor ‘esclarecido’ se deve pôr. (…) Ao debruçar-se meticulosamente sobre a personalidade e a biografia de Arafat, a autora é também fatalmente arrastada para o fascinante teatro de operações que é todo o Médio Oriente e o mundo árabe. (…) Não é um romance ou é mais do que um romance: é o relato, o romance da vida de uma homem que foi notícia durante os últimos 30 anos da nossa vida. (…)

O facto de  – sobretudo nos tempos que correm – ser um livro que se lê como se fosse um livro de aventuras e onde, a cada passo, se recolhe informações que desinquietam a nossa instalada ignorância, em lugar de ser, como tantos outros, um mero exercício académico de tese sobre a excelência das ideias  ou do estilo literário do autor, para consumo interpares, faz deste ‘Arafat’ um trabalho raro em Portugal.

Miguel Sousa Tavares

Jornalista e escritor

In: Prefácio de Arafat – A Pedra que os Palestinianos Lançaram ao Mundo

ARAFAT NA SUITE DO HOTEL RITZ EM LISBOA

Lisboa, Abril 2000 | Lisbon, April 2000
© Adriano Miranda

No Ritz com Arafat

A minha última entrevista com Yasser Arafat, o líder que obrigou o mundo a reconhecer o palestiniano como uma nação mas foi incapaz de lhes dar um Estado,  realizou-se no Hotel Ritz, em Lisboa, 27 de Abril 2000 – o ano em que começou a Segunda Intifada. Foi na mesma suite onde já nos havíamos encontrado, para uma outra entrevista, logo após o anúncio público do seu casamento com Suha , a mãe da sua única filha.

Nessa altura, o fotografo que me acompanhava, Luís Vasconcelos, do diário PÚBLICO, tentou registar o momento em que ele me abraçava, mas um dos assistentes presidenciais não autorizou. Desta vez, porém, Adriano Miranda, que também foi editor da secção de fotografia do jornal, não teve problemas em captar os momentos finais de uma conversa duríssima.

As perguntas centraram-se, designadamente, no fracasso dos Acordos de Oslo, que o académico palestiniano Edward Said renegou como “o resultado de uma negociação medíocre e uma capitulação” face a Israel”;  e na estratégia da Fatah, a maior facção da OLP (ambas chefiadas por Arafat), de seguir os métodos violentos do Hamas.

Arafat não conseguia travar a expansão dos colonatos judaicos na Cisjordânia e o movimento islâmico que agora governa a Faixa de Gaza ganhava popularidade. Foi em  2000 que eclodiu a Segunda Intifada, com múltiplos atentados suicidas fora dos territórios ocupados e visando civis israelitas.

Mantendo-se fiel à sua oratória irascível, o guerreiro que inventou a palavra lam – combinação, do árabe, la (não) com nam (sim) – evadiu-se a respostas claras, optando pelo contra-ataque para se defender. Acusou os críticos, no interior e na diáspora, de serem “desleais” e “traidores”.

No final da entrevista, Abu Ammar (o seu nome de guerra) aproximou-se para se despedir. Puxou o meu pescoço com uma mão e eu temi, confesso, que ele tentasse magoar-me para se “vingar”. Mas não: primeiro deu-me um abraço, dizendo. ‘Você é dura; dura com as mulheres palestinianas, e gosto disso.’ Depois pegou na minha mão e quase a beijou.

Para os que sempre o consideraram um terrorista, esta fotografia talvez incomode. Para mim, é apenas a recordação da humanidade de um mito.

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O Médio Oriente, confuso, diverso, denso, irresistível, aparece, em fresco, nesta biografia de Yasser Arafat, a primeira publicada em português. É uma obra notável, rara, sábia e espantosamente isenta. A vida de um homem que participou da História cruza-se com a de uma jornalista que foi assistindo a ela.

Pedro Rosa Mendes

Escritor e jornalista

In: Livros (A pedra ambígua), antigo suplemento do jornal PÚBLICO, 18 de Junho de 2003,a propósito de Arafat: A Pedra que os Palestinianos Lançaram ao Mundo

PHOTO C

Com a Prémio Nobel da Paz Shirin Ebadi em Lisboa, Setembro de 2009 | Interview with Iranian Nobel Peace Prize Shirin Ebadi, in Lisbon, in September 2009
© Enric Vives-Rubio

Não sei como se dão os prémios de jornalismo. Desconfio que são os jornalistas que têm de passar pela vergonha de candidatar-se. É à Egas Moniz: sem corda ao pescoço. Pois eu proponho já Margarida Santos Lopes. Sabe-se lá por que combinação sobrenatural de talento, brio e técnica, ela não entrega um texto normal há mais de cinco anos. São todos excelentes.

Por muito que se procure. Não sei que pacto é que ela fez para lhe sair tudo tão bem. Mas a julgar pela alma com que escreve, o diabo não há-de ficar mal servido (…) A MSL é a YSL do jornalismo português. Consegue fazer reportagens com ela lá dentro em que só se dá por ela na medida exacta em que deve entrar: como uma testemunha especial que vê por dentro e por fora. (…)

Grrrr! Grrrr, sim, mas graxa também, a ver se ela me dá essa fórmula secreta, de como misturar, com tanta elegância e pontaria, o álcool do eu como o sumo objectivo dos factos, sem nunca cair na tentação de apor um micro-cahapeuzinho-de-sol. Mais uma cereja sim. Como deve ser.

Miguel Esteves Cardoso

Escritor e jornalista

In: PÚBLICO (Mais uma cereja sim) , 12 de Maio de 2009

PHOTO C

Com Emad Burnat, realizador palestiniano do documentário nomeado para um Óscar 5 Broken Cameras, na sua aldeia de Bi’lin, na Cisjordânia, em 30 de Maio de 2013. Esta entrevista foi concedida após as habituais manifestações de sexta-feira contra a ocupação e o “muro de separação”. De um lado, activistas árabes e judeus; do outro, soldados (disparando cartuchos de pólvora seca e granadas de gás lacrimogéneo) e colonos (incitando à violência). | With Emad Burnat, Palestinian director of Oscar-nominated documentary 5 Broken Cameras, in his village of Bi’lin, West Bank, on May 30, 2013. This interview was given after one of the usual Friday’s demonstrations against the occupation and the “wall of separation”. On one side, Arabs and Jews activists; on the other side, soldiers (shooting stun grenades and tear gas canisters) and settlers (inciting to violence)
© Udi Goren

 

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