De candidato a jihadista a muçulmano punk

O americano Michael Muhammad Knight converteu-se ao Islão aos 17 anos. Numa madrassa em Islamabad quis ir combater para a Tchetchénia. Convenceram-no a mudar de rumo. De regresso aos EUA, afrontou o establishment muçulmano com uma particular “religião punk-rock”. Falámos com este antigo aluno de Harvard e lemos os seus livros em busca de respostas para o que motiva jovens a alistar-se no “estado islâmico”. Esta é a sua história. (Ler mais | Read more…)

Michael Muhammad Knight é hoje um líder muçulmanos que inspira novas gerações na América. © Michael Muhammad Knight

Michael Muhammad Knight é hoje um líder muçulmano que inspira novas gerações na América
© Cortesia de | Courtesy of Michael Muhammad Knight

Calvin Sherrad Unger, o avô de Michael Muhammad Knight, nasceu no dia de Natal em 1895, em Berkeley Springs, no estado americano da Virgínia Ocidental. Casou-se com Maude, rapariga da terra, e deixou-a grávida para ir combater na I Guerra Mundial. A sogra de Calvin não aceitou a união com um homem de classe baixa. Depois de ela dar à luz, em casa, imediatamente esmagou o crânio da criança recém-nascida contra uma cadeira.

No Verão de 1920, também Maude morreu. Cinco meses depois, Calvin casou-se com Martha Irene Bishop, de 16 anos. Quando não trabalhava nas minas no Condado de Morgan, o avô de Michael pregava os Evangelhos pelas ruas. Ascendeu a ministro pentecostal e passou a realizar baptismos no rio Cacapon.

Entre 1921 e 1947, Martha teve 20 filhos: 12 raparigas e oito rapazes. Para os dominar, o patriarca da família ameaçava: “Se não comeres a sopa, o Diabo leva-te”. Ia mais longe, fazendo-os acreditar que os fornos de carvão, na cave, conduziam directamente ao fogo do Inferno.

Com uma trabalhosa descendência, Calvin e Martha delegaram nos filhos mais velhos o cuidado pelos mais novos. Um deles era Wesley Calvin Unger, que foi criado pelas irmãs, uma das quais o acusou de a ter violado.

Aos 14 anos, Wesley viu o irmão David, de 6, perder a vida, atropelado por um camião. Dois anos depois, a mãe morreu de desgosto. Calvin voltou a casar-se, e a terceira mulher tentou convencê-lo de que Wesley era o “próprio Diabo”.

Quando o ambiente se tornou insuportável, Wesley passou a viver num carro, no parque de estacionamento da igreja. Inscreveu-se no exército, para fugir de Berkeley Spring. Aos 17 anos, foi enviado para a Coreia, onde “algo aconteceu”.

Circulavam várias histórias. Que testemunhara um massacre de crianças refugiadas às mãos dos norte-coreanos. Que o seu cérebro ficara afectado por um ataque com armas químicas. Que sofrera um acidente e ficara com danos neurológicos.

Wesley nada revelou. Certo é que terminou o serviço militar “com honra”, e passou a receber um subsídio de 211 dólares por mês como veterano deficiente de guerra.

Knight provém de uma família onde se misturam religião e violência. Um dos seus livros autobiográficos é Journey to the End of Islam. © Michael Muhammad Knight

Knight provém de uma família onde se misturam religião e violência. Ele narra vários dramas que, em parte, contribuíram para a sua conversão em livros autobiográficos como Journey to the End of Islam
© Cortesia de | Courtesy of Michael Muhammad Knight

Finda a tropa, o comportamento de Wesley tornou-se mais alucinatório, explicado por um diagnóstico de esquizofrenia e abuso de estupefacientes. Instalou-se numa zona de caravanas em Titusville (Florida).

Uma tarde, viu uma garota de 19-20 anos, uma década mais nova, atravessar a rua com dois sacos de mercearia. Travou a fundo o seu “T-Bird” (Ford Thunderbird) amarelo e ilegal, com matrícula de 1963. Abriu-lhe a porta do carro. Ela entrou, sem resistência.

Assim se conheceram Wesley e Susan (que o futuro marido trataria por “Jodie”), os pais de Michael William Unger, nascido em Geneva, cidade do estado de Nova Iorque, onde viviam os avós maternos, de origem irlandesa. Foram eles que o baptizaram, como católico, aos 7 anos.

Paranóico, alcoólico e violento, Wesley tentou decapitar o filho e espancava a mulher, até ela conseguir que a Polícia o prendesse. Tudo isto consta de uma autobiografia, The Impossible Man, e ajuda a compreender por que Michael Muhammad Knight empreendeu uma “viagem até ao fim do Islão” (título de um outro livro).

Depois de Wesley Unger e antes do motard Bill Schutt, o segundo marido da mãe com quem aprendeu a gostar de wrestling, Michael imaginou-se um jedi como Luke Skywalker, combatente pela justiça e liberdade. Em comum, ambos tinham, como pai, um sinistro Darth Vader.

Os heróis que se seguiram foram o raper MC Hammer e o grupo Public Enemy, com a sua “entourage paramilitar, uniformes e boinas pretas ao estilo dos Panteras Negras, e um vocalista, Chuck D., vangloriando-se de que a sua [metralhadora] Uzi pesava uma tonelada”.

A canção dos Public Enemy favorita de Michael era Black Steel in the Hours of Chaos . Ouvia-a até se gastarem as pilhas do seu Walkman. Sabia a letra de cor:

I got a letter from the Government, the other day

I opened and read it, it said they were suckers

they wanted me for their army or whatever

picture me giving a damn

I said never

Uma noite, em 1992, Michael passou pela secção de livros de um supermercado e retirou da prateleira A autobiografia de Malcolm X. Já tinha ouvido falar que esta obra servira de base ao biopic realizado por Spike Lee, mas não fazia ideia de quem se tratava.

Rapidamente se sentiu atraído pelas ideias do activista dos direitos dos afro-americanos cujo pai fora assassinado por supremacistas brancos (como era Wesley Unger) do Ku Klux Klan (KKK).

“Malcolm X e Public Enemy inspiraram-me a prosseguir o meu conhecimento, a pensar por mim próprio e a questionar as narrativas que me haviam ensinado” diz-me Knight, numa entrevista por Facebook.

Um dos mais notáveis líderes do movimento Nation of Islam (Nação do Islão), Malcolm X tornar-se-ia depois um dos mais críticos. Três antigos correligionários mataram-no em 1966, quando ele abandonou a organização.

Para Michael Knight, quando Malcolm dizia que “os brancos são o demónio” não era ele quem falava mas a Nation of Islam, “coisa diferente”. A transformação, referiu, deu-se em Meca, “quando viu que todos rezavam juntos, incluindo muçulmanos brancos.”

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Em Blue-Eyed Devil (“O Diabo de olhos azuis”), outro dos seus livros, Knight admite que os negros representam “quase metade da população muçulmana dos EUA”, enquanto os muçulmanos brancos (1%) “continuam a ser um “mutante cultural que ainda exige explicação”.

Reconhece que quando entra numa mesquita “ninguém se convence” que ele é muçulmano. Pode até cumprimentar os “irmãos” com a tradicional saudação em árabe as-salamau alaikum (a paz esteja convosco), mas obterá como resposta um “educado hello”.

Seja como for, aos 16 anos, Michael estava determinado a seguir os passos de Malcolm X e, nesse processo, teve a seu lado a pessoa que mais admirava, e encorajava, a sua procura de conhecimento. “A minha mãe conduziu-me até à mesquita e testemunhou a minha conversão”, exulta, nesta entrevista. “Ela apoiou-me incondicionalmente.”

Foi no Centro Islâmico de Henrietta, subúrbio de Rochester, estado de Nova Iorque, que Michael proclamou a Shahadah (profissão de fé): “Há um só Deus e Maomé é o seu Profeta”. Foi aqui que o seu nome do meio passou a ser Muhammad. E foi aqui que o convidaram para participar num “campo de férias” no Paquistão.

O bilhete de avião e o alojamento foram pagos pela Academia Daw’ah. Esta faz parte da Universidade Islâmica Internacional, com base na Mesquita Faisal, em Islamabad, financiada pela Arábia Saudita – bastião da rígida doutrina wahabita seguida pela velha al-Qaeda e pelo novo “Exército Islâmico” (EI).

O Paquistão governado pela primeira-ministra Benazir Bhutto (assassinada em 2007) estava repleto de refugiados muçulmanos de várias guerras, do Afeganistão à Somália. Todos os dias, depois das aulas, Michael e os seus colegas acompanhavam, pelos noticiários da CNN, a insurreição na república separatista russa da Tchetchénia.

Observou o converso: “Era inacreditável, e certamente uma glória para o Islão, que aqueles pobres rebeldes, poucos em número e sem recursos – ainda menos do que os afegãos [que derrotaram os invasores soviéticos na guerra de 1979-1989] – pudessem talvez ganhar a liberdade na luta contra o império kafir [infiel] russo.”

os 16 anos, Michael estava determinado a seguir os passos de Malcolm X e, nesse processo, teve a seu lado a pessoa que mais admirava, e encorajava, a sua procura de conhecimento. “A minha mãe conduziu-me até à mesquita e testemunhou a minha conversão”, exulta, nesta entrevista. “Ela apoiou-me incondicionalmente.” ©

Aos 16 anos, Michael estava determinado a seguir os passos de Malcolm X e, nesse processo, teve a seu lado a pessoa que mais admirava, e encorajava, a sua procura de conhecimento. “A minha mãe conduziu-me até à mesquita e testemunhou a minha conversão. Ela apoiou-me incondicionalmente”
© Cortesia de | Courtesy of Michael Muhammad Knight

Naquela altura, tal como acontecia em relação ao Afeganistão sob domínio das autoridades comunistas de Moscovo, muitos muçulmanos ofereciam-se como voluntários para apoiar a guerrilha no Cáucaso do Norte.

Michael, que havia lido a história do Imã Shamil (1797-1871), líder político e religioso da resistência anti-russa naquela região, sentiu subitamente um impulso para se juntar aos “jihadistas” tchetchenos.

Certa noite, o americano foi bater à porta de Siddique, um dos companheiros, e disse-lhe: “Acho que que quero ir para a Tchetchénia”. A resposta à pergunta “para quê?” foi: “Não sei. Talvez estando eu aqui tão perto eu possa ter a oportunidade de ajudar.”

Siddique replicou: “É maravilhoso que queiras ajudar os teus irmãos, mas tens mais a oferecer do que ir para a Tchetchénia.” Michael retorquiu: “Mais do que as minhas mãos? Se virmos algo de errado, temos de corrigir isso primeiro com as mãos”.

Siddique acrescentou: “Seja quais forem os teus talentos, podes usá-los ao serviço do Islão. Todos os homens têm mãos mas nem todos têm cérebro. Para alguém como tu, ir para a frente de batalha e tornar-se mais um cadáver na vala é quase uma ingratidão para com Alá. Ele deu-te um dom e tu estás a desperdiçá-lo. Sabes por que estás aqui? A comunidade [muçulmana em Rochester] é 85% paquistanesa. Tu vieste para conhecer a cultura, aprender algum Urdu, entender o sentido de humor e saber como tolerar as especiarias na comida, porque tu tens um futuro na mesquita.”

O Centro Islâmico em Rochester estava dividido em facções, como se lê em The Impossible Man. Os paquistaneses queriam “controlar por serem a maioria”; os árabes porque “tinham dado o dinheiro”; os afro-americanos porque “achavam que era o seu país”.

Para Siddique, Michael não era uma ameaça por “ser branco, quase neutral”. E foi assim que o filho de Sue escapou à jihad.

“Os seres humanos são complicados e as suas motivações são complexas”, observou Michael quando o inquirimos sobre o que leva jovens da Europa à Austrália a alistar-se num movimento como o “Estado Islâmico”, cuja marca registada está a ser a decapitação de “inimigos”, sejam jornalistas ou crianças.

“Eu não represento uma teoria universal sobre nada. Interessa-me apenas que deixemos de pensar sobre os muçulmanos como gente que age apenas por motivos religiosos. Os muçulmanos são seres humanos.”

Eu cresci num país que glorifica o sacrifício militar e sente ter o direito de reconstruir outras sociedades de acordo com a sua própria visão. Eu interiorizei esses valores muito antes de pensar em religião. Ainda sem sequer saber o que era um muçulmano, quanto mais conceitos como jihad ou ‘estado islâmico’, a minha vida americana ensinou-me que é isso o que homens corajosos fazem.” ©

“Cresci num país que glorifica o sacrifício militar e sente ter o direito de reconstruir outras sociedades de acordo com a sua visão. Interiorizei esses valores muito antes de pensar em religião. Ainda sem sequer saber o que era um muçulmano, quanto mais conceitos como jihad ou ‘estado islâmico’, a minha vida americana ensinou-me que é isso o que homens corajosos fazem”
© Cortesia de | Courtesy of Michael Muhammad Knight

Num artigo de opinião, recentemente publicado pelo diário The Washington Post, Michael Knight, lamentou que os media “tracem frequentemente uma linha clara entre categorias imaginadas de muçulmanos ‘bons’ e ‘maus’ . (…) Os meus irmãos no Paquistão disseram-me que a violência não era o melhor que eu tinha para oferecer.”

“Outros jovens na minha situação terão recebido conselhos diferentes. É fácil presumir que pessoas religiosas, em particular muçulmanos, façam coisas só porque a sua religião lhe diz para o fazerem. Mas quando eu penso no meu impulso, aos 17 anos, de fugir e ser um combatente ao lado dos tchetchenos, tenho de considerar mais do que factores religiosos.”

“O meu cenário imaginado de libertar a Tchetchénia e de a transformar num Estado islâmico era uma fantasia puramente americana, assente em ideais e valores americanos. Sempre que ouço de falar de um americano que atravessa o mundo para se envolver em lutas pela liberdade que não são suas, penso, Que maneira tão, tão americana de agir.”

“E é esse o problema”, adiantou. “Somos educados para amar a violência e ver a conquista militar como acto benevolente. O garoto americano que quer intervir na guerra civil de uma outra nação deve a sua visão do mundo tanto ao excepcionalismo americano como às interpretações jihadistas das escrituras. Eu cresci num país que glorifica o sacrifício militar e sente ter o direito de reconstruir outras sociedades de acordo com a sua própria visão.”

“Eu interiorizei esses valores muito antes de pensar em religião. Ainda sem sequer saber o que era um muçulmano, quanto mais conceitos como jihad ou ‘estado islâmico’, a minha vida americana ensinou-me que é isso o que homens corajosos fazem.”

Depois da sua primeira visita ao Paquistão e de regresso à América, Michael Muhammad Knight começou a ficar desiludido com a ortodoxia sunita, e irritou muita gente no establishment representado pela Sociedade Islâmica da América do Norte. Em 2004, chegou a compará-la ao antigo Presidente George W. Bush, porque ambos “são antiaborto, anti-gays e fazem com que o Islão normativo seja tão duro e pérfido como a Cristandade.”

A fé de Michael não tem fronteiras, como ele deixa claro em Journey to the End of Islam: “Na baixa de Manhattan [em Nova Iorque], visito ordens sufis; mais acima, no Harlem, convivo com os Five Percenters, para quem o homem negro é Alá [uma organização dissidente da Nation of Islam para a qual “só 5% da Humanidade que conhece a verdade sobre a existência está determinado a iluminar os 85% que a ignoram; há 10% que conhecem mas interessa-lhes manter a ignorância”].”

“Em Brooklyn, o meu Islão torna-se indiano quando Sadaf [a sua mulher] compra CD de qawwalis [estilo de música sufi, um dos seus grandes expoentes foi Nusrat Fateh Ali Khan]. Ela usa um versículo corânico no seu colar, um tradição na Ásia do Sul, mas desencorajada na Arábia Saudita pela polícia religiosa.”

“O Islão dela é tão social quanto espiritual. (…) A família dela é sunita, mas no período de Ashura [mês de luto pelo assassínio de Hussein, filho do Imã Ali] eu junto-me aos xiitas no Jamaica, [bairro de classe média nova-iorquino de] Queens. (…) Quando rezo numa mesquita onde as mulheres não são autorizadas a entrar na principal sala de orações, ela espera na rua por mim; mas na mesma cidade eu tenho rezado lado a lado com mulheres, algumas delas liderando a prece de sexta-feira.”

Para Michael Muhammad Knight, a sua relação com o Islão “só encaixa na América onde não existe polícia religiosa nem leis de apostasia para impor a crença dos governantes aos outros.” E adianta: “Prefiro ser um xiita em Nova Iorque do que no Cairo, ou um sunita em Nova Iorque do que em Teerão. Prefiro ser um Ahmadi [subseita muçulmana considerada herege, sobretudo no Paquistão] em Nova Iorque do que em Lahore; e prefiro ser um sufi em Nova Iorque do que em Meca.”

Houve um tempo em que Knight também disse que “a América poderia, até certo ponto, salvar o Islão”. Inquirimos a este respeito, e ele já não pensa deste modo. “Não creio que a América possa salvar o Islão”, frisou.

“Já ultrapassei esta atitude nacionalista e xenófoba americana em relação ao Islão. Não acredito numa versão americana do Islão que possa ser redentora para os muçulmanos em todo o mundo. Nos EUA o Islão não está afastado da política. Se o Islão precisa de ser ‘salvo’, esta salvação não pode vir de um império que laça bombas [com drones sobre o Afeganistão, por exemplo] sobre crianças muçulmanas.”

Quanto ao “estado islâmico” (EI/ISIS) ou Daesh, e ao anúncio do Presidente Barack Obama de que vai envolver os EUA numa ampla coligação militar para destruir aquele grupo, Knight evitou responder. “Não me interessa agir como analista sobre o ISIS [uma das siglas usadas para o EI] ou sobre os contextos militares no terreno, seja no Iraque ou em qualquer outro país”, declarou.

Ao contrário da al-Qaeda, que aposta numa guerra permanente dentro e fora da sua área de operações, o Daesh parece mais interessado em estabelecer uma “entidade territorial viável”, como notou o cientista político Mouin Rabbani. O Daesh controla zonas significativas da Síria e do Iraque, de onde expulsou ou mantém em regime de escravatura minorias religiosas, funcionando como uma administração de facto. Um dos estudos mais aprofundados, da autoria de Peter Harling, do International Crisis Group, pode ser lido aqui:

Quanto a Michael Muhammad Knight parece ter seguido o conselho de Siddique. Depois de um mestrado na Universidade de Harvard, prossegue os Estudos Islâmicos na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

Os seus livros que, a princípio, eram distribuídos quase clandestinamente como fotocópias, tendo sido censurados e confiscados (em Singapura, por exemplo), são agora estudados nas escolas americanas. O mais célebre e controverso é The Taqwacores, centrado num grupo de muçulmanos punk que partilha uma casa em Buffalo (Nova Iorque). Na sala-de-estar, que serve para rezas e festas, há drogas e sexo.

O livro deu origem a uma nova forma de música – a taqwacore, combinação de hardcore e taqwa (termo árabe para “piedade”). Um dos grupos que se tornou no símbolo destes novos ritmos é The Kominas.

No final da entrevista, pedimos a Michael Muhammad Knight que comente o seguinte lamento inscrito em The Taqwacores: “Reduzimos a nossa religião a fuckin’ academics”.

O americano convertido escreveu: “O treino académico dá-nos as ferramentas para ler mais além e desconstruir a nossa religião, mas não nos permite a sua reconstrução. Para mim, há mais na religião do que o texto. Há também as experiências vividas, Por isso, às vezes preciso retirar [a religião] da minha cabeça e tentar senti-la.”

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Este artigo foi originalmente publicado no REDE ANGOLA, em 30 de Setembro de 2014 | This article was originally posted on the news website REDE ANGOLA, on September 30, 2014

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