A tragédia persa dos Pahlavi

O filho mais novo do último imperador iraniano não suportou o fardo dos crimes do pai, o suicídio da irmã, a morte súbita de uma namorada e a frustração de não poder participar na revolta da sua geração contra o regime islâmico. Alireza Pahlavi “morreu como um soldado que não aceita a desonra e a desgraça, com um só tiro na cabeça”.  (Ler mais | Read more…)

Alireza Pahlavi nasceu em berço de ouro, a 28 de Abril de 1966, cerca de um ano antes da cerimónia de coroação do seu pai, que já reinava há mais de um quarto de século. Foi o terceiro filho de Mohammad Reza e de Farah Diba. Não foi sempre recluso e introspectivo. A mãe descreveu-o como "o mais malicioso dos rapazes", que se exprimia "numa linguagem impecável e com sentido de humor". © Direitos Reservados | All Rights Reserved

Alireza  foi o terceiro filho de Mohammad Reza e de Farah Pahlavi. Não foi sempre recluso e introspectivo. A mãe descreveu-o como “o mais malicioso dos rapazes”, que se exprimia “numa linguagem impecável e com sentido de humor”
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As janelas da mansão de Alireza Pahlavi na West Newton Street, em Boston, tinham vidros escuros e as persianas quase sempre fechadas. Os vizinhos viam apenas um homem taciturno, elegante nos seus fatos de luxo ou em jeans e blusão de cabedal, que entrava e saía num Porsche preto, sem falar com ninguém.

Só na terça-feira, dia 4 [de Janeiro e 2011], quando ouviram um disparo e a Polícia foi chamada de emergência ao local, ficaram a saber que o desconhecido era o filho mais novo do último imperador do Irão. Há muito que vivia deprimido. Suicidou-se com um tiro na cabeça. Tinha 44 anos.

“Ninguém parecia conhecê-lo e ele não fazia qualquer esforço para se encontrar com os vizinhos”, conta-nos, por e-mail, Stephen Kinzer, jornalista e escritor que vivia na mesma rua de Alireza. “Havia um tipo que o conhecia do Irão mas, quando se aproximou dele, o príncipe afastou-o e recusou qualquer relacionamento.”

“Também eu nunca me encontrei com ele, o que lamento”, acrescentou o antigo repórter do New York Times, dos mais respeitados especialistas em assuntos iranianos. “Eu frequentava a pizzaria na esquina da sua casa e pergunto-me se alguma vez o terei visto por lá. Gostaria muito de ter tido a oportunidade de lhe falar, mas Alireza não se mostrava interessado em discutir questões como a situação na actual República Islâmica ou o regime do seu pai, e muito menos com estranhos.”

Assim, quando escreveu no Daily Beast que Alireza “não podia ter deixado de reconhecer o papel que a sua própria família desempenhou para criar as condições que levaram os Mullahs a tomar o poder”, em 1979, Kinzer admite que estava apenas a deduzir.

“Ele era um homem inteligente, que estudou a história do seu país, por isso, certamente que este pensamento lhe ocorreu”, acrescenta o autor de Os Homens do Xá – O Golpe no Irão e as Origens do Terrorismo no Médio Oriente (Ed. Tinta da China), biografia de Mohammad Mossadegh, primeiro-ministro nacionalista que a CIA derrubou para recolocar o “rei dos reis” Mohammad Reza Pahlavi no Trono do Pavão, em 1953.

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Alireza e o pai, durante férias da família nas margens do Mar Cáspio, nos anos 1970
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Alireza nasceu em berço de ouro, a 28 de Abril de 1966, cerca de um ano antes da cerimónia de coroação do seu pai, que já reinava há mais de um quarto de século. Foi o terceiro filho de Mohammad Reza e de Farah Diba. Não foi sempre recluso e introspectivo. A mãe, nas suas Memórias (Ed. Bertrand), descreve-o como “o mais malicioso dos rapazes”, que se exprimia “numa linguagem impecável e com sentido de humor”.

Aos três anos, narra Farah Diba, o pequeno príncipe queria que o chamassem de Toutone, como o alcunhara a sua governanta francesa, ou como piloto, porque “o seu sonho era pilotar aviões de caça norte-americanos Phantom, que o fascinavam”.

À mesma governanta, que o tentava forçar a entrar na banheira, terá respondido: “Não quero tomar banho, quero ser um hippie sujo.” Um dia, durante o jantar, adianta a mãe, deixou todos perplexos ao confessar que gostava do “amor livre”.

Ao contrário dos irmãos mais velhos, Reza e Farahnaz, que depois do jardim-de-infância prosseguiram a escolaridade no palácio em Teerão, Alireza ingressou logo no jardim-escola do Liceu Razi onde Farah Diba estudara. Era um rapaz atrevido, consciente do seu poder e sem pudor de chamar “cabeça de burra” à sua professora.

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Mohammad Reza e a família, antes de ter sido forçado ao exílio após a revolução islâmica que derrubou a monarquia em 1979. Da esq. para a direita: Alireza, a imperatriz Farah, Leila (filha mais nova, que também se suicidou, em 2001), o “rei dos reis”, Fahranaz (filha mais velha) e Reza Pahlavi, o actual príncipe herdeiro
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Segundo a mãe, a relação de Alireza com o pai era de grande afecto. Apesar de Mohammad Reza ser um homem austero, permitia que o filho subisse para as costas dele, a brincar aos cavalos, e tolerava até as travessuras infantis que humilhavam os empregados.

Em 1979, quando o pai foi destronado pelo seu maior inimigo, o Ayatollah Khomeini, Alireza, de 12 anos, e a sua irmã mais nova, Leila, de 10, foram os primeiros membros da família a deixar o Irão. Embarcaram para os Estados Unidos a 15 de Janeiro. O imperador e a imperatriz chegariam a Assuão, no Egipto, no dia seguinte.

A viagem para o exílio terá sido traumática para os jovens príncipes habituados a uma vida de luxo e veneração. Acompanhados pela avó materna, pela ama de Leila e por um oficial, seguiram num avião militar C130, instalados no cockpit atrás dos pilotos porque o aparelho não estava preparado para transportar passageiros.

Com eles levavam “arroz numa marmita”, preparado pelos cozinheiros do palácio e “servido em pires de chávenas de café”, segundo o relato de Farah Pahlavi, que hoje divide o seu tempo entre Paris e Washington, onde Reza mantém um “gabinete imperial”.

15 March 1945, Rabat, Morocco - 7 December 1979, Paris, France) was the son of Princess Ashraf Pahlavi, twin sister of the Shah of Iran, and Ahmad Shafiq. © /military.wikia.com

A princesa Ashraf, irmã gémea de Mohammad Reza, também sofreu uma tragédia pessoal quando o seu filho Shahriar Shafiq (nascido em  Rabat, Marrocos, em 1945) foi assassinado m Paris, em 1979, o ano da Revolução Islâmica. Nesta imagem, ele está acompanhado da mulher e dos seus dois filhos  
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Princess Ashraf Pahlavi (Persian: Aŝraf Pahlawi, born 26 October 1919), is the twin sister of Mohammad Reza Pahlavi, the Shah of Iran and a member of the Pahlavi Dynasty. She currently resides in Paris, France. Princess Ashraf is the oldest living member of her family. Since the Iranian Revolution, she has kept an extremely low profile and, with the exception of a memoir published in the mid-1990s, has not made any public appearances[1] or granted interviews since 1981. ©

A princesa Ashraf Pahlavi morreu em 7 de Janeiro de 2016. A imprensa francesa chamava-a “Pantera Negra”, cognome de que gostava: “Tal como a pantera, a minha natureza é turbulenta, rebelde e autoconfiante.” Na memória colectiva do Irão, permanecerá como “figura multidimensional, nunca banal”, escreveu o académico Hamid Dabashi 
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Ainda mal se tinham habituado à sua errância (deambularam por vários países, até se instalarem definitivamente nos EUA), os Pahlavi sofreram mais um golpe a 7 de Dezembro de 1979, quando Shahriar Shafiq, filho da princesa Ashraf, gémea do rei, foi assassinado em Paris, com duas balas na cabeça. Os assassinos terão sido enviados pelo novo regime teocrático: ele foi a primeira vítima de recém-criados “esquadrões da morte”. Tinha 34 anos, era oficial da Marinha e começou a organizar a resistência no interior do Irão logo após a Revolução Islâmica.

A 27 de Julho de 1980, há muito a agonizar com um linfoma, foi a vez de o Xá morrer, no Cairo, onde o amigo egípcio Anwar Sadat lhe dera o asilo que o aliado americano Jimmy Carter lhe negara. No Palácio de Kubbeh, Alireza e Leila foram os últimos a saber a notícia. Alireza recusou juntar-se à mãe. “Quis ficar sozinho com a sua dor”, conta ela.

No dia do funeral, a 29 de Julho, na Mesquita de Al Rifa’i quando os despojos do rei foram descidos para uma cave especial, Alireza seguiu o irmão mais velho, o príncipe herdeiro, Reza, “sem pedir autorização a ninguém”. Os médicos disseram a Farah Diba que tinha sido importante o facto de ele ter visto “onde repousava o pai”.

De 1979 a 1981, Alireza frequentou escolas nos EUA e no Egipto. Em 1984, licenciou-se na Princeton University e, em 1992, fez um mestrado na de Columbia. Inscreveu-se depois num doutoramento (que interrompeu sem justificação) em Harvard – centrando-se nos seus temas preferidos: História da Pérsia e do Médio Oriente, Filologia e Musicologia.

A depressão de Alireza ter-se-á agravado depois que a irmã favorita, Leila (ambos na foto), se suicidou num hotel de Londres, com uma overdose de barbitúricos (e, alegadamente, de cocaína), em 2001, dez anos antes de ele ter dado um tiro na sua própria cabeça. © Direitos Reservados | All Rights Reserved

A depressão de Alireza ter-se-á agravado depois que a irmã favorita, Leila (ambos na foto, acompanhados da mãe, ao centro), se suicidou num hotel de Londres, com uma dose excessiva de barbitúricos (e, alegadamente, de cocaína), em 2001 – dez anos antes de ele ter dado um tiro na sua própria cabeça
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“Alireza podia ocupar a sua cabeça mas não o seu coração”, observou no site The Huffington Post a jornalista anglo-iraniana Charlotte Safavi, referindo-se ao homem que em tempos foi considerado “um dos solteiros mais cobiçados do mundo”, mas que não chegou a casar-se em 2001, como planeado.

O noivado de oito anos com Sarah Tabatabai acabou abruptamente quando ela morreu num acidente de mergulho náutico. Essa perda foi insuportável, segundo um amigo da família. “Tal como muitos da minha geração, incluindo eu própria, restava-lhe apenas a memória de uma pátria, com a dor acrescida de nunca ter conseguido regressar em segurança”, acrescentou Safavi.

[Em Agosto de 2011, o ‘website’ do príncipe herdeiro, Reza Pahlavi,  anunciou oficialmente o nascimento, a 26 de Julho  do mesmo ano, de Iryana Leila, “filha de Alireza e da sua noiva Raha Didevar”. A criança veio ao mundo seis meses depois de o pai ter morrido.]

Num artigo para a CNN online, Hamid Dabashi, autor de Iran: A People Interrupted e professor em Columbia, onde conheceu um “jovem estudante extremamente educado, sério e encantador”, concorda que, nos últimos tempos, Alireza terá olhado “com um misto de admiração e lamento a sublevação histórica pela democracia” no Irão.

“Admiração, porque este levantamento social gigantesco estava a acontecer no seu país natal; lamento, porque não imaginava para si próprio um lugar nessa revolta.”

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“Um dos solteiros mais cobiçados do mundo”, Alireza não chegou a casar-se em 2001, como planeado. O noivado, que durava há 8 anos, com Sarah Tabatabai (ambos na foto) acabou abruptamente quando ela morreu num acidente de mergulho náutico. A perda “foi insuportável”
© Iranian.com

Se tinha ambições políticas, o melancólico Alireza raramente as expressava em público, ao contrário do irmão Reza, que nunca abdicou de recuperar a coroa do pai, mobilizando os monárquicos iranianos na diáspora.

Stephen Kinzer recorda-se de uma só vez, em que, inquirido sobre o seu envolvimento no movimento da oposição, Alireza respondeu: “A minha missão permanece inalterável – farei o que puder para ajudar a causa da liberdade e da democracia no nosso país.”

O seu suicídio, salientou Stephen Kinzer, nesta entrevista, “gerou consternação na comunidade iraniana-americana, até entre os que detestavam os Pahlavi; porque transcendeu a política e é uma verdadeira tragédia pessoal e humana. A combinação de ambas é extraordinária”.

No Irão, os media próximos do regime noticiaram, sem comentários, “a morte do filho do ex-ditador”, enquanto os que estão ligados à oposição optaram por ignorar o acontecimento, para evitar críticas.

Ao comunicar o suicídio do irmão, numa conferência de imprensa, durante a qual não conteve as lágrimas, Reza Pahlavi declarou: “Posso imaginar que terá sido muito duro para uma criança tão pequena enfrentar os acontecimentos tumultuosos da revolução islâmica. Os últimos anos da vida de Alireza foram de altos e baixos. A depressão não é um caminho fácil, e ele sucumbiu.”

Deixou uma carta com o último desejo: que o seu corpo fosse cremado e as cinzas lançadas ao Cáspio, um mar que banha o Irão.

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Em 2011, o website de Reza Pahlavi, sucessor designado ao Trono do Pavão, anunciou o nascimento de Iryana Leila, filha de Alireza e da noiva, Raha Didevar (na foto), A criança, que ganhou o título de princesa, veio ao mundo 7 meses após a morte do pai
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A depressão ter-se-á agravado depois que a sua irmã favorita, com quem mantinha uma grande cumplicidade desde a infância, se suicidou num hotel de Londres, com uma overdose de barbitúricos (e, alegadamente, de cocaína), em 2001. Escreveu a mãe na autobiografia: “Leila consultou todo o tipo de médicos, e como a fadiga e as dores persistissem a despeito dos tratamentos, acabou por dizer que ninguém era capaz de a curar.”

“Então, como em todas as situações do género, acabou por frequentar reuniões, amigos ou amadores que lhe aconselharam soporíferos e calmantes, em vez de a ajudarem a exprimir os seus sofrimentos escondidos. (…) Ouvi várias vezes Alireza dizer-lhe com a sua rudeza de homem ferido: “Ouve, Leila, se continuas assim, vais morrer.””

Alireza acabou por escolher para si o mesmo destino de Leila. Talvez porque a depressão é uma doença familiar. A princesa Ashraf [com 93 anos – em 2013], figura sinistra que os iranianos apelidavam de “Pantera Negra”, era viciada em antidepressivos.

Abbas Milani, director de Estudos Iranianos na Stanford University e autor do livro The Shah, disse à revista TIME que as agências de espionagem americanas e inglesas mencionavam frequentemente nos seus relatórios as depressões do imperador – que, com Alireza, partilhava não só esta enfermidade como a paixão por aviões e carros de alta velocidade. Segundo Milani, um dos relatórios descrevia o soberano como “uma personalidade de tipo Hamlet”.

É assim também que Stephen Kinzer encara o suicídio chocante de Alireza, caracterizando-o com o invulgar termo de self-slaughter (autocarnificina). “É a última tragédia na longa história de uma família encharcada em sangue – primeiro, o dos iranianos que torturou e matou, e depois o seu próprio. É um drama de dimensões shakespeareanas.”

“O Xá governou em tempos o Irão com punho de ferro, mas a sua família pagaria muito caro pelos seus pecados, fazendo ecoar o julgamento de Hamlet de que um crime real ‘não pode acabar bem'”, escreveu no Daily Beast.

Alireza Pahlavi, ao colo da mãe, Farah Diba, nasceu em Teerão em 1966. © payvand.com/blog

Alireza Pahlavi, ao colo da mãe, Farah, nasceu em berço de ouro, Teerão, a 28 de Abril de 1966, cerca de um ano antes da coroação do pai, que já reinava há mais de um quarto de século
© payvand.com/blog

Na entrevista que nos deu, acentuou o biógrafo de Mossadegh: o destino trágico do Xá e dos seus parentes “tem menos a ver com a sensibilidade persa e mais com a patologia de uma família perturbada.

Os Pahlavi perderam o contacto com o seu país e estão, de certo modo, deslocados e desancorados, vivendo no seu próprio mundo de fantasia. Mohammad Reza era um homem profundamente inseguro que se compensava fingindo que era o maior rei de todos os tempos. Esta é uma família que apenas tem revelado uma ténue consciência da realidade.”

Apesar de tudo, Kinzer é complacente: “Alguns poderão dizer que o destino puniu de forma justa a família Pahlavi pelos seus grandes crimes, mas a realidade é que o príncipe Alireza era tão criminoso quanto os seus vizinhos.”

“Se os filhos são culpados das transgressões dos pais, ele estava seguramente coberto de culpa, mas se cada indivíduo é responsável pelas suas próprias acções e nada mais, era inocente. Nunca ordenou uma execução ou enviou alguém para uma câmara de tortura, nem se subjugou a uma potência estrangeira.”

“Podia, honestamente, manter a cabeça erguida. No entanto, o peso da história da sua família era, evidentemente, demasiado pesado para ele o carregar. Podemos imaginar os demónios que atormentavam o príncipe exilado enquanto vivia enclausurado na sua sombria mansão no South End antes de ter decidido pôr termo à vida. Morreu como um soldado que não suporta a desonra e a desgraça, com um só tiro na cabeça.”

Escreveu Ferdowsi, poeta nacional iraniano, no seu monumental Shahnameh (“Livro dos Reis”):

Que a nossa família seja vil ou gloriosa

A sorte nunca nos revelou a sua face

Mas, rei ou plebeu, sabemos que nós

Devemos deixar esta terra em breve para a eternidade.

Ali Reza e Leila Pahlavi, os irmãos que se suicidaram, incapazes de suportar o peso do exílio. © Direitos Reservados | All Rights Reserved

Alireza e Leila, os irmãos que se suicidaram, “incapazes de suportar o peso do exílio”
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Este artigo, agora revisto e actualizado, foi publicado originalmente no jornal PÚBLICO em 10 de Janeiro de 2011 | This article, now revised and updated, was originally published in the Portuguese newspaper PÚBLICO, on January 10, 2011 

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