Vencer o cancro de saltos altos

Se o cancro da mama é o segundo entre os que mais matam mulheres em todo o mundo, Marisa Acocella Marchetto crê ter encontrado uma arma ainda mais mortífera para o combater. Fez uma BD e mostrou como “tacões assassinos de 12 centímetros” intimidam qualquer “célula zangada”. (Ler mais | Read more…)

Marisa

Marisa Acocella Marchetto continua a desenhar cartoons para as revistas The New Yorker e Glamour, e também para o jornal The New York Times. Os direitos de autor de Cancer Vixen foram doados integralmente à Breast Cancer Research Foundation, em Nova Iorque. Ajudou também a criar um Fundo com nome do livro para ajudar a pagar mamografias de mulheres sem posses
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Na primeira sessão de quimioterapia, Marisa Acocella Marchetto usou umas sandálias Charles Jourdan azul-metálico de lucite. Nas seguintes escolheu criações de Giuseppe Zanotti, Casadei ou Emilio Pucci. “Em vez de me concentrar na agulha que me espetava a mão, olhava para os meus maravilhosos five-inch killer heels [saltos assassinos de 12 centímetros] para me descontrair”, diz a “ilustradora citadina, louca por sapatos, obcecada por batom, apreciadora de uma boa pinga, doida por massas e fanática por moda” a quem foi diagnosticado um cancro de mama, em Maio de 2004.

Tinha 43 anos e faltavam três semanas para se casar com “o homem perfeito”.

A dar um pontapé num tumor “do tamanho de uma pérola” é como ela se desenha a si própria em Cancer Vixen (edições Asa), a BD que veio lançar a Lisboa na semana passada – mais de 200 páginas coloridas de humor e amor.

Sim, ela cronometra o medo (10.12) que sentiu ao descobrir um caroço no peito, confessa a vergonha de nunca ter feito uma mamografia, alardeia o embaraço de ter deixado caducar o seguro de saúde e confessa o pavor de ser abandonada pelo amor da sua vida.

Por outro lado, é de forma hilariante e sem autocomiseração (mesmo no desconsolo) que vai dando conta de todas as etapas da batalha contra “um sacana que não veio nada a calhar” – quando ela, ainda de apelido Acocella, havia conquistado Silvano Marchetto às jovens que, descaradamente, o cobiçavam, planeava a compra de um gracioso vestido de noiva, e os editores da New Yorker e da Glamour lhe requisitavam mais trabalhos.

Oportunidade para aqui confirmar como é dura a vida de freelance (“por cada desenho vendido, há 100 que são rejeitados”). E ela não parou na doença, sempre acompanhada dos seus dois gravadores, câmara fotográfica, caderno de esboços e caneta favorita Rapdiograph 0.35.

Marisa, que vivia num “apartamento superchique – um minúsculo T1 no 2º andar de um prédio de 3, sem elevador, em West Village” e frequentava todos os “eventos in”, diz-nos que trocou o lema take it off your chest (“tira isso do peito”) por take it off your breast (“tira isso da mama”).

Quando fala do passado, já está a pensar no futuro. “Antes de pensar na quimioterapia, concentrei-me na minha lua-de-mel.”

livro 3

É por isso que, com ela, zombamos das “células zangadas” (cancerosas), criaturas verdes de língua escarlate de fora e dedo em riste num gesto obsceno.

Que devoramos as tempestuosas conversas com Violleta, a mãe ou (S)mother – trocadilho para a expressão inglesa “asfixiar” –,“Sofia Loren versão Nova Jérsia”, e os mexericos com as APS (amigas para sempre).

Que rejubilamos com os raspanetes da Virgem Maria (“Se passares o dia na cama, nunca vencerás”) e de Mary Poppins (Acabou-se a lamúria! Levanta-te… Já, já”).

Que partilhamos a sua revolta por os testículos não serem “colocados num torno”, tal como as mamas são “espremidas, esborrachadas, esmagadas e entaladas” nas mamografias.

Que nos surpreendemos com a devoção a Santa Filomena e ao Beato Jacob, “protectores dos que sofrem”, conjugada com sessões espirituais no centro cabalístico judaico.

Conclusão de Marisa: “Se somarmos 29 agulhas, oito quilos, 11 técnicos de radioterapia, 11 assistentes médicos, 9 enfermeiras, oito médicos, 192.720,4 dólares, dois rabis e um padre, o resultado é uma experiência que me mudou para sempre”.

Em Lisboa, cinco anos depois de sentir que o universo a aspirara para um buraco negro, a loura que “apenas se preocupava com questões estúpidas e egoístas de auto-estima, pele e cabelo”, confessa que continua a ser uma fashionist.

“Oh sim, ainda gosto muito de andar na moda, mas agora na perspectiva de me fazer sentir mais poderosa”, confessa enquanto se senta na poltrona de um hotel, o sol primaveril a iluminar o rosto translúcido bem maquilhado.

“Deixei de ser uma vítima da moda para ser uma vencedora. Já não é uma questão de competição, mas a expressão de quem se sente bem. Se nos sentirmos bem, isso reforça o nosso sistema imunitário e, assim, são menos as probabilidades de adoecermos. É uma outra forma de terapia.”

“Hoje, trago umas calças de cabedal justas e um sapatos altíssimos como eu adoro, tudo preto e Alexander McQueen”, descreve-se a pequena Marisa, alongando as pernas para exibir o que qualifica de “grande extravagância” do ano corrente.

“Esta camisola [cor-de-rosa, ostentando um laço da luta contra o cancro da mama] não tem marca, e a camisa tem uns 20 anos, mas aprecio combinar velho e novo. A sombra dos olhos permanece azul. As unhas, pintei-as de turquesa. Combinam bem com os ténis do meu marido” – e com a pedra do anel de noivado.

Silvano Marchetoo, o amor que ajudou Marisa a vencer o cancro. @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)

Silvano Marchetto, o amor que ajudou Marisa a vencer o cancro.
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Encostado a uma janela, Silvano interrompe a conversa, fixando em Marisa os olhos azuis de ternura com que ela o retrata no livro a ele dedicado.

“Então era isso que vinha naqueles sete sacos que o empregado levou lá a casa!”, brinca num inglês-italiano (quase) imperceptível. “Sim”, ri-se a primeira ilustradora do jornal New York Times (‘autora de The Strip, que saía aos domingos alternados na secção Styles’). “Não lhe posso esconder nada”.

“Os tacões de 12 centímetros de salto fazem-nos sentir conquistadores do mundo”, elucida Marisa. “As pernas não ficam bonitas com saltos rasos e eu não me sinto confiante.”

Na sala VIP, enquanto a mulher caminha altiva nos seus pumps (sapatos fechados com abertura à frente), o marido desfila, divertido, os ténis de múltiplos tons, personalizados com o logótipo do restaurante (famoso pela gastronomia toscana e pela clientela famosa) de que é proprietário em Nova Iorque, o Da Silvano.

O logo – a cara bonacheirona de Silvano, de cabelo branco e óculos de sol – foi o princípio de uma relação que o cancro solidificou. Marisa tinha ido ao restaurante que Spielberg e Armani frequentam para escrever um artigo, sobre “o preço de estar na moda”.

A reportagem não chegou a ser publicada pela extinta revista Talk porque se tornou superficial depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001.

Em Janeiro de 2002, ela propôs a Silvano compensá-lo, desenhando o cartão de inauguração de um novo estabelecimento. Apresentou quatro sugestões e ele aceitou todas, depois de inúmeras modificações a que ela aquiesceu pacientemente. Difícil resistir a um galã que nunca se zanga e cuja palavra de ordem é che bella giornata.

Além de carros desportivos e relógios, Silvano também colecciona sapatos – terá o dobro de Marisa –, mas a paixão que ela sente por andar de saltos altos foi herança de Violetta Paolina Margarida Mazzucca d’Rentis Acocella.

“Quando comecei a desenhar, aos 3 anos, já imitava a minha mãe, que trabalhava em casa. Lembro-me que, aos 4 anos, tinha botas de verniz cor de marfim; aos 5, botas de verniz pretas; aos 6, botas de cano alto e salto quadrado, verniz de cores verde ácido e laranja vivo. Já naquela altura, eu era uma shoe-aholic [sapatoólica]!”

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Violleta “tem um extraordinário fashion sense”, elogia Marisa. “Nos anos 1960, ela usava Pucci e tinha o cabelo preto comprido como o da Cher, com uma madeixa loura na franja – muito na vanguarda. Levava-me às compras e o seu gosto era sempre o mais ousado. Foi ela que me encorajou a exprimir-me pela moda.”

Numa troca de e-mails, a partir de Nova Jérsia, onde vive, a mãe de Marisa desvenda que começou a desenhar sapatos antes de terminar o liceu. “Eu ia para Nova Iorque aos sábados e deixavam-me fazer os meus sapatos durante o fim-de-semana. Fui depois completar os meus estudos para o Pratt Institute, mas sempre a desenhar sapatos.”

Quando se licenciou, Violletta foi trabalhar como designer na I. Miller Shoe Company, “naquele tempo, o mais requintado fabricante de sapatos de Nova Iorque”, mas foi na Bergdorf Goodman que ela conheceu Jacqueline Kennedy, que lhe fez uma encomenda.

“Quando ela me telefonou, pensei que era alguém a pregar-me uma partida”, relata. “Tinha uma voz doce e falava com eloquência. Tornámo-nos amigas e tínhamos algo mais em comum do que os sapatos. Estávamos ambas grávidas. Ela de John Jonh e eu de Marisa.

Lamentávamo-nos por termos os pés grandes – embora ela ficasse contente por os meus serem maiores (número 11) do que os dela (número 10). Foi este episódio que me fez desenvolver tamanhos grandes e desenhar para ela sapatos que a faziam parecer maravilhosa. Ainda guardo um par de sapatos que fiz para mim na mesma altura que fiz para Jackie”.

marisa livro

Não foi só nos sapatos e na moda que Violleta influenciou Marisa. “Vi como Marisa era talentosa desde muito pequenina”, exulta a mãe. “Encorajei-a a seguir o seu talento. Aos 4 anos, levei-a a uma amiga que era professora de arte. Ela recusou inicialmente dizendo que não era baby siter.”

“Pedi-lhe que a deixasse assistir apenas a uma aula. E Marisa foi, aos 4 anos, a uma aula de adultos. No final, a professora estava deslumbrada com a filha fabulosa que eu tinha. Pegou nas duas aguarelas que ela pintou, emoldurou-as e apresentou-as a um concurso. Marisa ganhou o primeiro prémio.”

Marisa dá mais pormenores: “A minha mãe desenhava sapatos fabulosos para mulheres e eu, aos 3 anos, tentava desenhar mulheres que conhecia. Aos 8, cheguei à conclusão que essas mulheres eram muito aborrecidas. Não tinham nada para dizer. Um dia, o meu pai decidiu que iríamos ter umas férias grandes e fomos até às Bermudas.”

“Ficámos num hotel que a minha mãe detestou, porque era muito pequeno. Queixou-se ao gerente e ele deixou-nos ficar numa casa cor-de-rosa em frente ao resort. Nas paredes havia desenhos com legendas, e eu exclamei: ‘Oh meu Deus, as mulheres que eu desenho sabem falar!”

A casa era de James Thurber, lendário cartoonista da New Yorker. “Nessa noite fiquei a ler as revistas e os livros dele até de madrugada”, relembra. “Duras horas depois, acordei com formigas a subirem-me pelo corpo. Fomos para uma carrinha e havia lá outras 400 formigas. Gosto de dizer que fui mordida pelo bicho do cartoon. Foi assim que a aventura começou.”

Inquirida sobre se a sua mãe gostou da maneira como a desenhou em Cancer Vixen (que esteve para se chamar Breast Cancer Scenario, “título horrível” que um amigo chumbou), Marisa dá uma gargalhada: “Depois de meses de ausência, já na arte final, fui visitar os meus pais. A minha mãe entrou na sala, tinha emagrecido 12 quilos, e disparou: ‘Não gostei da maneira como me desenhaste’.”

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Violleta dá a sua versão: “Eu sei que Marisa me ama. O livro confirma esse amor e tocou-me o coração.” Quanto a ser tratada como (S)mother, admite: “É um modo carinhoso de mostrar a minha personalidade, mas sim, creio que amo os meus filhos DEMASIADO, e agora todos me chamam (S)mother.”

Se Violleta é uma mãe “sufocante”, Marisa só poderá ser madrasta de Leyla, a filha de Silvano. Uma das passagens mais comoventes do livro é quando ela interioriza que só poderá engravidar aos 49 anos, devido à ingestão do Tamoxifen, medicamento que “bloqueia o estrogénio no peito”.

Desenha um bebé num céu estrelado e o diálogo é tristonho: “Desculpa… pensei que tinha muito tempo, mas só tinha um piscar de olhos.” E a criança despede-se: “Adeus”. Violleta chora: “Sempre pensei que ias ter uma menina.”

Marisa conformou-se: “Muita gente ficou impressionada. Não poder ter filhos é uma realidade. Mas tenho uma enteada maravilhosa. Tenho uma vida muito ocupada. Tenho muito trabalho. Tenho uma vida cheia. Tenho um marido maravilhoso”. Vira-se para Silvano e pergunta: “Falta-nos alguma coisa?”. Ele murmura. “Nada!”

A grande missão de Marisa é agora o seu Cancer Vixen Fund, que tem Silvano com “principal benfeitor”, criado em colaboração com o Hospital de St. Vincent, onde foi operada e tratada. “Este projecto é dedicado às mulheres que não têm seguro de vida e a quem foi diagnosticado cancro de mama”, especifica.

“Mais de 49% correm o risco de morrer da doença. Porque adiam os exames ou, se estes dão positivo, não se tratam por falta de dinheiro. Temos vários patrocinadores: a fundação Estée Lauder, a Breast Awareness Campaign, os [armazéns] Bloomingdale’s e a [transportadora] Continental Airlines, entre outros. Também somos membros da American Cancer Society.”

Criar o Vixen Fund foi uma ideia que nasceu quase ao mesmo tempo que Marisa conheceu o seu diagnóstico. “Senti que tive muita sorte [o cancro foi detectado no início, uma leve quimioterapia não lhe fez cair o cabelo, amigos e chefes criaram uma rede de solidariedade, Silvano incluiu-a no seu seguro de saúde] e eu quis retribuir.”

Hoje, a instituição realiza duas vezes por ano cerca de 300 mamografias gratuitas. “Felizmente, só um caso deu positivo”. Não se espera, porém, um final feliz. Talvez um milagre. Marisa diz que a fé lhe ampara a vida.

  Uma entrevista em BD

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Tentar construir um MUNDO COR-DE-ROSA, comendo mais fruta e vegetais, frutos secos e sementes, reduzindo os alimentos, pessoas e situações tóxicas, ajudando a angariar fundos para a investigação sobre cancro da mama. Sonho: Um planeta cor-de-rosa.

Os cartoons que se seguem são as respostas de Marisa Acocella Marchetto a perguntas que lhe enviámos.

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Descreva-se a.c. (antes do cancro) Marisa (eu). A.C. (antes do cancro). O meu peso. O meu cabelo. O meu isto. a Minha dieta. Os meus sapatos. A minha vida. Eu precisava de ter os melhores sapatos, a melhor mala, os melhores jeans, os melhores óculos de sol, ir às festas certas, e tudo tinha de ser bom, bom, bom.

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Encontrar um caroço no peito e saber o diagnóstico de cancro da mama sem seguro de vida foi devastador. Como encontrou coragem para lutar?
Tenho este hábito nervoso. Chama-se desenhar… é melhor do que eu fazia antes para manter as minhas mãos ocupadas. Bem, senti que quando passamos para o papel os nossos sentimentos, isso se chama um diário um diário de objectivos. vejam como desenhei as “células do cancro”. E quando o fiz eu ri-me delas, e o cancro tornou-se menos intimidante.

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De um modo geral, as pessoas ainda olham para o cancro da mama como uma sentença de morte. Por que motivo sentiu necessidade de contar a toda a gente – até a estranhos – que tinha cancro?
Cancro
Eu queria tirar o cancro para fora de mim…
Cancro
Cancro
E colocá-lo numa página
Tirem isso das vossas mamas, raparigas!
Escrevam!
Escrevam!
Escrevam!*
* Este processo chama-se “diário de um objectivo”

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Foi fácil, para si, dizer a palavras “cancro”? Ri-me na cara do cancro! Ha ha ha ha ha!!!

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Levou a obsessão pelos sapatos até às sessões de quimioterapia. Isso foi importante porquê? Pratiquei a ‘lei da distracção’, centrando-me em algo bonito e não algo doloroso… As agulhas não têm graça.
A única coisa que me fazia sentir bem era olhar para os meus sapatos.

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Como é que aprendeu a aceitar todas as transformações do seu corpo depois dos tratamentos, e amar-se a si própria? Eu, d.d. (depois do diagnóstico). Lembro-me de dizer ao meu corpo…‘Corpo, tu vais entrar em dieta, fazer exercício e ganhar o respeito que mereces! E, obrigado por lutares e seres forte!

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Como é que psicólogos, rabis e santos a ajudaram a sobreviver? Ainda precisa deles?
A minha fé tem-me amparado a vida. Maria, Rainha do Céu
Cabalistas, usam sobretudo branco. O padre Jake está comigo em espírito.

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Escreveu que a experiência do cancro a mudou para sempre – até conseguiu perdoar pelo menos uma das suas “inimigas”. Qual é a “receita” para ser mais positiva e generosa?
Receita para uma vida feliz: Amor. Perdão. Tome uma dose saudável todos os dias.

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Sem o grande amor de Silvano (e da sua mãe), a sua história seria diferente?
Eu não estaria aqui sem o AMOR. Silvano usa sempre os seus óculos escuros.

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Vixen, uma guerreira, e não uma vítima – qual o objectivo do seu livro? O que recomenda a outras mulheres?
Não seja uma vítima, seja uma VIXEN. Desenhei-me a mim própria como uma vixen a pontapear o cancro, e esse desenho esteve na minha prancheta durante todo o ano do cancro Eu pensei nisso. Vi isso. Acreditei nisso. Agora chamo à prancheta a minha ‘prancheta hipnotizante’. Veja-se a si própria como vixen e será uma vixen!  

Este artigo foi publicado originalmente no jornal PÚBLICO, em 10 de Maio de 2009 | This article was originally published in the Portuguese newspaper PÚBLICO, on May 10, 2009

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