Asma al-Assad: De ícone de moda a símbolo da guerra

Se quiserem perceber o rumo que a Síria vai seguir, olhem para a beleza e elegância de al-akilatu al-raïs (a mulher do Presidente), dizia-se no Médio Oriente. A revista francesa Elle olhou, e Asma Fawaz al-Akhras foi classificada, em 2008, “a primeira-dama mais bem vestida do mundo”, relegando para 2º lugar Carla Bruni-Sarkozy e para 3º Michelle Obama. [O brilho que a dourava tornou-se escarlate, vermelho como o sangue dos mártires, depois da guerra civil de 2011. O  marido revelou-se um ditador e não um reformador.] Entrevista (agora actualizada) com Joshua e Manar Qash’our Landis. (Ler mais | Read more…)

Last week, as Bashar al-Assad’s forces continued their bombardment of the city of Homs, The Times’s Martin Fletcher asked whether Asma al-Assad, Bashar’s wife, whose family hails from the besieged city, would remain silent. “Has Syria's Princess Diana become its Marie Antoinette?” he asked. On Tuesday he received an answer. In an email to The Times, Asma—or her office—said her husband "is the President of Syria, not a faction of Syrians, and the First Lady supports him in that role." The email continued: "The First Lady's very busy agenda is still focused on supporting the various charities she has long been involved with,” but that “she listens to and comforts the families of the victims of the violence." © The Daily Beast

“Em Julho de 2012, enquanto as forças de Bashar al-Assad continuavam a bombardear Homs, Martin Fletcher, jornalista do diário londrino The Times, interrogou-se sobre se Asma, a primeira-dama, cuja família é oriunda da cidade mártir, permaneceria em silêncio e deixou-lhe uma pergunta:, ‘Será que ‘a princesa Diana da Síria’ se tornou Maria Antonieta?’  Ela – ou o seu gabinete – enviou um email de resposta, dizendo que o marido ‘é o Presidente da Síria, não uma facção dos sírios’ e que o está a apoiar ‘nesse papel’, mantendo também ‘uma agenda ocupada, apoiando várias associações de caridade, ouvindo e confortando as famílias vítimas da violência'”
© The Daily Beast

Os regimes autoritários “têm de se modernizar para sobreviver, e a bonita, culta e secular” Asma é um veículo para neutralizar críticas, sobretudo as externas”, disse-me [em Dezembro de 2008 – três anos antes do início da guerra civil] numa entrevista, por telefone, Joshua Landis, co-director do Center for Middle East Studies da Universidade de Oklahoma e autor do influente blogue Syria Comment. Bashar al-Assad sabe o valor mediático que a sua mulher [tinha].

“[Havia] milhares de pedidos de cadeias de televisão americanas para a entrevistar. Os tipos do programa 60 Minutes da CBS [estavam] sempre a telefonar. E até Oprah Winfrey fez saber que gostaria de a ver no seu [anterior] talk-show.”

“Essas entrevistas [foram sendo] adiadas porque o Presidente [queria] que Asma [fosse] acolhida em Washington com o respeito e a dignidade com que o palácio do Eliseu recebeu ambos [em Julho deste 2008]”, acrescenta Landis. Em Damasco, ainda é uma ferida aberta a humilhação a que George W. Bush sujeitou Bashar al-Assad ao dar-lhe um visto para ir à sede da ONU em Nova Iorque apenas dois dias antes de proferir o seu discurso. “Ele não quis parecer que estava a implorar e cancelou a viagem.”

Bashar [procurava] o timing certo, e [esperava] que este [chegasse] após a tomada de posse de Barack Obama, em Janeiro de 2009. “Assim que os Estados Unidos fizerem regressar o seu embaixador [as relações estão reduzidas ao nível de encarregado de negócios desde 2005], a Síria vai fazer tudo para se aproximar – incluindo retirar o peso estratégico aos laços bilaterais com o Irão”.

Muitos sírios “estão eufóricos” com o prémio Elle de Asma. Milhares de expatriados, que “deliraram quando a viram ofuscar Carla Bruni nos Campos Elísios”, mas sobretudo as elites do país que “raramente vão à mesquita e têm uma fixação na cultura ocidental”, sublinha Landis, 50 anos, casado com Manar Qash’our, de 37, filha de um antigo almirante de Latakia, cidade onde conheceu o Presidente, em 1999.

“Não é estranho”, esclarece o analista, que um país politicamente fechado [sentisse] orgulho em exibir a sua primeira-dama, porque a minoria alauita (uma sub-seita do Islão xiita) no poder sempre se manteve próxima de alguns valores europeus.

“Bashar frequentou uma escola católica francesa em Damasco e doutorou-se em oftalmologia em Londres. Em Latakia, ele andava de jet ski ou de iate, e frequentava os cafés e restaurantes da moda.”

© Getty Images | The Independent

© Getty Images | The Independent

Manar e as duas irmãs, Maha e Dima, chegaram a ir à praia e a festas com Bashar, acompanhados de amigos comuns. Dessa convivência em Latakia, a mulher de Landis, com licenciatura mas sem prática em Medicina, guardou a imagem de um jovem “muito simpático e respeitador, responsável e de espírito aberto”.

Mais tarde, em 2002, quando trabalhava para UNICEF em Damasco, Manar também se cruzou com Asma, já envolvida em projectos de carácter social. Diz que, nessa altura, ficou “impressionada com a sua forte personalidade, inteligência, humildade e profissionalismo”.

Não é, porém, consensual a opinião que o casal Landis tem do par presidencial, ela de 33 anos e ele de 43 [idades em 2008]. Joshua acha que é “história de amor”, embora reconheça que foi também “uma aliança política”.

Quando teve de suceder ao pai, Hafez al-Assad, que morreu em 2000, Bashar, “escolheu a mulher que seria a melhor para ele e para o país; ele era alauita e ela sunita”, a maioria que, na década de 1980, tentou derrubar o regime pela força.

“Não foi do agrado de todos nas duas comunidades, mas foi a vontade dele que prevaleceu. E ele incentivou-a a cultivar a imagem de sofisticação que ela agora exibe. Reparem nas fotos dela antes do casamento – era bonita, sim, mas não tinha o glamour de hoje. Deve ter, certamente, alguém a cuidar-lhe do cabelo, da maquilhagem e do guarda-roupa”.

Manar, por seu turno, não acredita que eles tivessem sequer namorado. “Já se conheciam, é certo, mas se tivesse havido romance, quando ambos estudavam em Londres, a imprensa tablóide inglesa teria noticiado isso”, diz-nos.

“Não se amavam, mas ele percebeu que podia ter tudo o que precisava num só ‘pacote’: uma mulher linda, jovem, poliglota [fala árabe, inglês, francês e espanhol] e familiarizada com o sistema financeiro internacional [muito útil, se ele tivesse aplicado as reformas de liberalização económica que prometeu ao povo]”.

© Gerard Creles |AFP| Getty images

© Gerard Creles |AFP| Getty

A versão que Asma al-Assad deu ao semanário The Observer não é muito diferente: “Eu visitava a Síria todos os anos, conhecemo-nos através de familiares, e desde a infância que éramos amigos. [Em Londres] raramente nos víamos. Era tudo na base da amizade”. Inquirida sobre quando soube que iria casar-se, respondeu com uma gargalhada: “Na véspera”.

Asma, que os colegas da sua escola anglicana em Acton tratavam por “Emma”, nasceu na capital britânica. No King’s College, concluiu um bacharelato (com first degree honours a Economia e Matemática) em Ciências da Computação, e uma licenciatura em Literatura Francesa. Posteriormente, ingressou como analista de fusões e aquisições no Deutsche Bank e na JP Morgan, em Paris e Nova Iorque.

Como é que uma mulher “ambiciosa e no auge da carreira”, prestes a entrar em Harvard para um MBA, aceita ficar em segundo plano? Manar Landis tem uma explicação: “Era muito atractiva a ideia de ser primeira-dama”, mesmo para a filha de um prestigiado cardiologista com consultório de cirurgia na chique Harley Street, e de uma diplomata, que foi primeira secretária na embaixada síria em Londres, habituada a uma vida de luxo. “Diz-se que mãe dela sempre se vangloriou de que casar com o Presidente seria o futuro da filha”, ironiza.

Provavelmente, o facto de ter sido ensinada a falar sempre árabe em casa, e de só aos 7 anos se ter apercebido que o pai, natural de Homs, e a mãe, oriunda de Aleppo, se exprimiam também em inglês, já fazia parte dos alegados planos para que Asma integrasse o clã Assad – a “primeira dinastia republicana árabe”. Certo é que ela descobriu o lugar que melhor a serviria.

A Presidência síria partilha fotos na sua conta no Instagram, mostrando Asma al-Assad a distribuir alimentos "aos mais necessitados" - ao mesmo tempo que controla as suas calorias graças a um aparelho de fitness (no pulso) que custa mais de 130 dólares © Huffington Post

A Presidência síria partilha fotos na sua conta no Instagram, mostrando Asma al-Assad a distribuir alimentos “aos mais necessitados” – ao mesmo tempo que “controla as suas calorias graças a um aparelho de fitness (no pulso) que custa mais de 130 dólares”
© Huffington Post

Poucos meses depois da cerimónia privada (só com familiares próximos) em que se uniu a Bashar, no dia de Ano Novo de 2001, desapareceu de cena. Não ficou reclusa ou invisível como a sogra, Anisa Makhlouf. Vestiu-se de jeans e T-shirt e viajou incógnita, de carro ou de bicicleta, pelas áreas rurais da Síria.

“Eu queria conhecer os sírios antes de eles me conhecerem – antes de o mundo me conhecer”, explicou Asma ao Observer. “E porque as pessoas não faziam a mínima ideia de quem eu era, foi possível encontrá-las honestamente. Tomei nota dos problemas, das queixas, das aspirações. Tratava-se apenas de ver quem eram e o que faziam. Não andava a espiá-los.”

Quem não gostou, aparentemente, foram os espiões. O principal projecto resultante desta incursão por aldeias remotas foi o FIRDOS (Fund for Integrated Rural Development of Syria). Esta “organização não governamental” tem como objectivo melhorar as comunidades rurais e evitar um êxodo para as cidades, através da concessão de microcrédito a mulheres, bolsas de estudos a alunos aplicados e formação profissional. “Os serviços secretos não apreciam este tipo de ONG, porque tendem a ser muito independentes e, por isso, são difíceis de controlar”, constata Joshua Landis.

Em todo o caso, Asma al-Assad ter-se-á imposto, e criou outras ONG, sobretudo de apoio a mulheres mas também crianças (organizou em 2002 a primeira Feira Nacional do Livro Infantil) ou a deficientes. Quando alguém tem dificuldade em actuar no terreno, “ela não [hesitava] em servir de intermediária”.

Por exemplo, “a pedido de diplomatas estrangeiros”, segundo Joshua Landis, colocou nas escolas sírias cerca de 33 mil filhos de refugiados vindos do Iraque. A generosidade foi muito elogiada numa altura em que o regime estava a ser acusado de encorajar a infiltração de insurrectos neste país vizinho, e a desestabilizar outro, o Líbano.

Em 27 de Agosto de 2008, o Arab Women Studies Center, ligado à Liga Árabe, atribuiu-lhe o Arab First Lady Award – Asma foi a mais votada primeira-dama, com 94% dos votos (ainda assim, menos dos que os 97,62% com que o marido foi reeleito pelo Parlamento, em 2007, para um novo mandato de sete anos).

© Taylor Jones

© Taylor Jones

[Em 2012, com Assad a bombardear o seu próprio povo, a União Europeia proibiu Asma de entrar em qualquer dos países membros – excepto o Reino Unido, porque ela tem cidadania britânica. A mesma proibição foi imposta à sogra e cunhados.]

Mãe de dois rapazes (Hafez, 7 anos, e Karim, 3 anos) e de uma rapariga (Zein, 5 anos), a primeira-dama síria recusou viver num palácio, que ficou reservado a actos oficiais, e escolheu uma casa no centro de Damasco. Joshua Landis confirma que Asma e Bashar “levam uma vida normal” e que é frequente vê-los, com “muito poucos guarda-costas”, em parques de diversão com os filhos, a jantar fora ou no teatro.

Está o regime assim tão confiante, que o Presidente não tem medo de ser assassinado? Afinal, o pai de Bashar foi alvo de vários atentados por parte da Irmandade Muçulmana. “Há tensões permanentes, mas já não tantas fracturas religiosas, como no passado”, esclarece Landis.

“O fosso maior é entre as classes altas com privilégios e os mais pobres.” O rendimento per capita na Síria, a sofrer de corrupção endémica e de um grave problema demográfico – 60% dos 20 milhões de habitantes têm menos de 25 anos e 45% menos de 15 –, é de 1900 dólares/ano.

Apesar dos problemas sociais e económicos, um grande orgulho patriótico dissipa o que divide os sírios, acrescenta o académico norte-americano. Em 2005, perante a suspeita de que o regime (em particular, o general Assef Shawkat chefe dos serviços secretos e cunhado de Assad que seria morto num atentado em Julho de 2o12) ordenou o assassínio do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, “inúmeros manifestantes, de forma mais espontânea do que organizada”, acorreram à casa de Bashar e Asma. E ambos “vieram à varanda acenar à multidão, a uma tão curta distância que seria fácil alvejá-los.”

A morte do milionário Hariri foi um dos grandes testes à liderança do inexperiente Bashar, forçado a retirar [em 2005],  todos os cerca de 40 mil soldados e mukhabarat (espiões) que desde a guerra civil libanesa (1976-1990) Hafez al-Assad enviara para um estado cuja soberania jamais reconhecera. Só este ano o filho-sucessor estabeleceu relações diplomáticas entre Damasco e Beirute.

A confiança de Bashar [era] tão grande, acentuou Joshua Landis, que quando Nancy Pelosi, [que exerceu, até 2011, as funções de] speaker ou presidente da Câmara dos Representantes norte-americana foi a Damasco, ele fez questão de dispensar o motorista e de conduzir o carro em que mostrou a cidade à visitante.

Manar Landis, por seu turno, desmente alegações de que a sogra de Asma, uma conformada dona de casa, não gosta da nora por esta ser demasiado interventiva. “É Anisa quem toma conta dos três netos, que não têm amas”, assegura.

“Bashar [era] uma pessoa simples”, continua o professor de Oklahoma, “muito diferente do irmão Basel”, que era o herdeiro designado do pai e morreu num acidente de viação, aos 31 anos, em 1994. O seu funeral foi o único dia em que viram chorar a “Esfinge de Damasco” [expressão cunhada por Henry Kissinger].

Enquanto Basel, formado desde miúdo para ser comandante das Forças Armadas e líder supremo, “gostava de atrair atenções, de óculos escuros, sempre a acelerar num Mercedes negro, Bashar optava por passear num discreto Audi, e de preferência sem fato e gravata”.

Quanto a Asma, embora tenha dito ao Sunday Times que gosta mais de roupas confortáveis do que da alta-costura que lhe afina e realça a silhueta, não [era] raro vê-la em saltos vertiginosamente altos. Os favoritos são Christian Louboutin, com a sua inconfundível cor escarlate.

Mais do que um ícone de moda, porém, Asma al-Assad [assumia-se] como “porta-voz da diversidade síria, muito diferente”, desdenhou ela, “do multiculturalismo à flor da pele no Ocidente”.

Asma al-Assad apareceu, em 11 de Janeiro de 2012, num evento público de apoio ao marido - durante a guerra que causou até 2015 mais de 100 mil mortes - na companhia de um dos seus dois filhos, Karim, de 7 anos, e da filha, Zein, de 9. © Wael Hmedan | Reuters | Presidential Palace

Asma al-Assad apareceu, em 11 de Janeiro de 2012, num evento público de apoio ao marido – durante a guerra que causou até 2015 mais de 100 mil mortes – na companhia de um dos seus dois filhos, Karim, de 7 anos, e da filha, Zein, de 9
© Wael Hmedan | Reuters | Presidential Palace

Na entrevista ao Sunday Times, desabafou: “Eu vivi no Reino Unido, e vi como as pessoas são tolerantes e sabem coexistir, mas na Síria encontramos uma nova e diferente perspectiva.”Em Damasco, a mais antiga cidade do mundo continuamente habitada, “a Rua Direita [construída pelos romanos e onde se situa a Capela de São Ananias] é parte de mim; São Paulo, que ajudámos a chegar salvo a Roma e a propagar o Cristianismo, é parte de mim; a Grande Mesquita dos Omíadas [que, construída entre os séculos VIII e XIII preservava no interior os restos mortais de João Baptista e, num anexo, o mausoléu de Saladino – agora em ruínas, incluindo seu esplêndido minarete] é parte de mim; o aramaico [língua de Jesus ainda falada em povoações como Ma’loula, construída literalmente na montanha e onde se situam o Mosteiro de São Sérgio e o Convento de Santa Tecla] é parte de mim. Esta unidade e harmonia não existem em mais lado nenhum no mundo”.

Tão zelosa [parecia ser] Asma do património religioso sírio que, quando o diário italiano La Repubblica lhe colocou a questão: “A senhora é muçulmana mas foi educada numa escola anglicana e, em Damasco, chegou a frequentar um convento de freiras salesianas. Mantém boas relações com os cristãos?”

A reacção foi célere. “Desculpe!”, corrigiu quem a entrevistava. “Eu não tenho ‘boas relações’ com os cristãos, porque não posso ter ‘boas relações’ comigo, com as minhas pernas e os meus braços. Nós, sírios, somos um só corpo. A nossa história não começou ontem; tem milhares de anos.”

A “gratidão” a Asma [antes da guerra civil começar] era expressa de forma singela num país onde os retratos de Bashar, Hafez e Basel [eram] omnipresentes, até em Hama, bastião de fundamentalistas sunitas onde predominam homens de barba e mulheres de véu, pouco habituados ao novo influxo de turistas, de calções ou mini-saia.

© Newsweek

© Newsweek

Em Hama foram massacradas entre 20 mil e 30 mil pessoas, segundo a Amnistia Internacional, antes de a cidade ser arrasada, em 1982. A imediata reconstrução não impediu que em algumas paredes ainda se vejam buracos de balas disparadas pelos tanques enviados pelo anterior Presidente, Hafez al-Assad. Fora da Síria, só alguns, e muito mais tarde, se deram conta deste “ajuste de contas” com os “irmãos” muçulmanos.

Quem visitasse a Síria [antes de 2011, poderia] ver o rosto sorridente de Asma sobretudo em alguns restaurantes – em fotos ao lado do marido e dos proprietários. [Eras] o caso do belíssimo Sissi, em Aleppo, abrigado numa rua estreita, junto ao souk (bazar) onde, ao pôr-do-sol, dervishes sufis [rodopiavam] e os cantores da cidade [competiam para provar] ser “os melhores do mundo árabe”.

O Sissi ou o Beit Jabri, este no coração da capital, com os seus ciber-cafés e galerias de antiguidades, pátios que cheiram a jasmim e músicos que tocam alaúde enquanto saboreamos fattoush, hummus e deliciosos rolinhos de queijo em massa de pizza, tornaram-se símbolos de uma prometida, mas adiada, “Primavera de Damasco”.

De momento, observa Joshua Landis, os sírios “vivem um momento de transição”. Ou como o artista Khalid Khalifa definiu para a BBC, “uma zona cinzenta – ninguém sabe se a liberdade está a chegar ou em retirada.” O professor de Oklahoma descreve assim a situação: “É verdade que Bashar fechou a temível penitenciária de Mezzeh, mas abriu outras, que continuam cheias. A diferença é que antigamente, os dissidentes iam imediatamente presos e, agora, avisam-nos primeiro, uma ou duas vezes, antes de os prendem.”

[A evolução dos acontecimentos, desde 2011, mostrou que a liberdade bateu em retirada. Bashar e Asma – a quem a revista “Vogue” ofereceu uma reportagem sob o título “Rosa do Deserto” e, por isso, foi alvo de condenação unânime revelaram as suas verdadeiras identidades: um casal sem escrúpulos, disposto a sacrificar o seu povo para manter a dinastia Assad no poder.]

Este artigo foi escrito com a colaboração de Joshua Landis, co-director do Center for Middle East Studies da Universidade de Oklahoma e autor do influente blogue Syria Comment, e da sua mulher, Manar Qash'our (ambos na foto) © Direitos Reservados | All Rights Reserved

Joshua Landis, co-director do Center for Middle East Studies da Universidade de Oklahoma e autor do influente blogue Syria Comment, e Manar Qash’our 
© Direitos Reservados | All Rights Reserved

Este artigo, agora revisto e actualizado, foi publicado originalmente no jornal PÚBLICO em 21 de Dezembro de 2008 | This article, now revised and updated, was originally published in the Portuguese newspaper PÚBLICO, on December 21, 2008

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