O Saddam Hussein de Oliver Stone

Já fez de pirata do ar palestiniano e de combatente do Hezbollah. Foi jihadista afegão em The Iron Man e, em “W”, incarnou o ex-ditador iraquiano. Sayed Badreya, cidadão americano nascido no Egipto, tem uma carreira cheia de papéis de terrorista. “Sou um actor”, justifica-se. “Brando foi nazi, Al Pacino criminoso e De Niro mafioso”. (Ler mais | Read more…)

PHOTO 1 - Oliver Stone

Com Oliver Stone, o realizador de ‘W’, sobre a presidência de Bush (protagonizado por Josh Brolin). Sayed Badreya incarnou Saddam Hussein, num papel secundário. A satisfação de participar neste projecto (“bastou uma audição com o cineasta) explica-se também pelo facto de o actor egípcio-americano ser um opositor da guerra no Iraque
© Sayed Badreya

Sayed Badreya acaba de morrer numa prisão do México como presumível serial-killer em Backyard, de Carlos Carrera. Mas, porque é bom quando faz de mau, foi convidado para dar vida ao defunto ditador Saddam Hussein em W, filme de Oliver Stone sobre George Bush.

Havia expectativas de que este papel [que foi secundário] permitiria compor o vilão mais famoso da carreira deste actor egípcio-americano cujo sonho de uma infância de miséria – ser estrela de cinema – parecia tão impossível de realizar como a paz israelo-árabe.

A história do serial killer baseada em factos verídicos e dirigida pelo mexicano que realizou El Crimen del Padre Amaro (nomeado para um Óscar em 2003 e outros 20 prémios), deixou Badreya comovido. “Eu sou o suspeito, um egípcio que vive entre Miami e o México, e é preso aqui”, diz-nos, por telefone, recém-chegado da rodagem à sua casa em Santa Mónica, na Califórnia.

“É triste porque o personagem não consegue provar a sua inocência à agente da polícia” Blanca Bravo (a actriz Ana de la Reguera), que implacavelmente o persegue.

A comoção rapidamente dá lugar ao entusiasmo de ir para o Louisiana entrar na pele do defunto “carniceiro de Bagdad”, sob a direcção de Oliver Stone. “Vou ser co-star e vai ser muito divertido e nada difícil, até porque Saddam é, para mim, uma figura conhecida desde miúdo”, afirma Badreya. “Talvez tenha de ver alguns vídeos só para perceber melhor os seus gestos”.

A satisfação de participar neste projecto (“bastou uma audição com Oliver Stone”) explica-se também pelo facto de Badreya – que na altura mostrava os seus dotes em Iron Man (“Homem de Ferro”), com Robert Downey Jr. – ser um opositor da guerra no Iraque. “Não gosto de Bush, que invadiu um país árabe para ficar com o petróleo”.

Blanc-B

Em Port Said, no Egipto, onde nasceu, em 1957, num bairro difícil que lhe deixava duas escolhas: jogar futebol ou fazer parte dos traficantes de droga – “metade dos miúdos do meu gueto vendia haxixe”. A mãe empurrou-o para a primeira opção, mas ele gostava mais de filmes
© Sayed Badreya

Não gostar de George W. Bush não quer dizer que não goste dos EUA. Pelo contrário. “Eu nasci em 1957 num bairro difícil da cidade de Port-Said, e tinha duas escolhas: ou jogava futebol ou fazia parte dos traficantes de droga”, relata. “A minha mãe estava preocupada, porque metade dos miúdos do meu gueto vendia haxixe. Ela empurrou-nos para o futebol e outras actividades, para nos afastar dos traficantes. Mas eu gostava mais de filmes. Durante as guerras [com Israel, de 1967 e 1973], ia para o cinema e foi aqui que me apaixonei pela América, a ver John Wayne, Steve McQueen e Humphrey Bogart”.

Quando Badreya tinha 9 anos, o pai morreu. “Foi muito duro. A minha mãe teve de cuidar de nove filhos – três rapazes e seis raparigas. No liceu eu era bom aluno e até fui admitido na universidade, mas a minha mãe não tinha dinheiro para me pagar as propinas. Por isso, fui para o exército durante 18 meses. Era obrigatório. Fiquei infeliz, porque queria muito entrar na universidade. Foi então que decidi que tinha de ir para a América.”

Familiares e amigos troçaram de Badreya. Como conseguiria ele ir para a América se em casa passavam fome? “Bem, a minha cidade foi muito afectada pela guerra e [o Presidente Anwar] Sadat declarou-a uma zona franca”, explica.

“Eu comprava perfumes em Port-Said, onde não havia impostos, e depois ia vendê-los em contrabando no Cairo. Consegui dinheiro suficiente para comprar um bilhete de avião. Parti sozinho. Tinha 21 anos quando cheguei a Boston, em 1979. Alojei-me numa pousada de juventude Comecei primeiro a lavar pratos num restaurante, cujo dono era libanês, uma pessoa adorável de quem ainda sou amigo. Depois fui estafeta e fiz várias outras tarefas.”

Sayed Badreya - Woody

Nos anos 1980, Sayed Badreya ingressou na New York University Film, já consciente de que lhe estariam “reservados quase sempre papéis de terrorista”. Teve a certeza disso quando se sentiu forçado a engordar e a deixar crescer a barba para ter emprego. (Na foto, com o amigo e também actor Woody Harrelson)
© Sayed Badreya

Enquanto trabalhava, Badreya conseguiu entrar numa escola para aperfeiçoar o inglês. Em 1980 já frequentava a Universidade de Massachussetts, e não demorou muito até se mudar para Nova Iorque. Foi aqui que conheceu Woody Harrelson, na altura também ele a dar os primeiros passos no cinema. Partilharam um apartamento e passaram muitos dias sem comer, com dificuldades financeiras.

Com um “bom ensaio” sobre os árabes-americanos (“de certo modo, a minha própria história”), Badreya ingressou na New York University Film, já consciente de que lhe estariam “reservados quase sempre papéis de terrorista”. Teve a certeza disso quando se sentiu forçado a engordar e a deixar crescer a barba para ter emprego. “Como rapaz giro e magricela, não chegava a lado nenhum, porque havia muita concorrência”, ironiza. 

Em Nova Iorque, curiosamente, fez o papel de um jogador de futebol egípcio no seu primeiro filme, Hotshot (1987) em que o brasileiro Pelé era o protagonista, representando-se a si próprio. Woody Harrelson ganhara, entretanto, popularidade com Wild Cats, e quando este foi para Los Angeles, Badreya seguiu-o. “Quando cheguei à Califórnia, com um tempo óptimo, suspirei: ‘Ah, este é o lugar onde quero viver’. Comecei logo a trabalhar em televisão, como assistente de produção. Primeiro com Anthony Perkins e depois com James Cameron.”

PHOTO 4- Perkins

Com Anthony Perkins, de quem foi assistente de produção (antes de colaborar com James Cameron), assim que chegou à Califórnia e começou a trabalhar em televisão. Aqui, em 1988, Sayed Badreya fez a estreia, como actor, em The Taking of Flight 847: The Uri Erickson Story, realizado por Paul Wendkos. “Sou um palestiniano [que desvia um avião]e foi o meu primeiro papel como terrorista”
© Sayed Badreya

Na Califórnia, Badreya estreou-se em The Taking of Flight 847: The Uri Erickson Story (1988), realizado por Paul Wendkos, com Lindsay Wagner e Eli Dunker. “É a história do sequestro de um avião. Eu sou um palestiniano e foi o meu primeiro papel como terrorista.”

Agora, quando lhe perguntamos, por que é que terrorista é quase sempre o seu papel, Badreya irrita-se levemente: “Repare, eu sou um actor e um actor faz o seu trabalho. [Marlon] Brando fez de nazi. Al Pacino fez de criminoso. [Robert] De Niro fez de mafioso. Eu não sou embaixador em Washington D.C.. Eu trabalho em Hollywood. Se o papel exige que eu seja um assassino, sou um assassino. Mas já fiz de médico e de professor.”

Para ser um terrorista convincente não bastou a Sayed Badreya “ser feio”, como ele próprio diz. “Quando eu estava a preparar o argumento de The Assassination of the Last Pharaoh, sobre Sadat, decidi ingressar numa mesquita de Los Angeles onde pregava Omar Abdel Rahman, um xeque cego que emitiu a fatwa [édito] para matar o presidente”, revela. “Encontrei-me com ele antes de o expulsarem pelo ataque ao World Trade Center em 1993. Misturei-me com os seus fiéis. Deixei-me influenciar pelo modo abnegado como conduzem as suas vidas. A sua submissão a Deus. A ideologia deles não me atraiu, mas adaptei o modo de ser deles à minha agenda de trabalho.”

PHOTO 5 - T for terrorist

Sayed Badreya em ‘T for Terrorist’, que produziu e protagonizou. Foi premiado com o Best Short Film no Boston International Film Festival e no San Francisco World Film Festival
© Sayed Badreya

Entrar na mesquita teve também uma razão pessoal. “Nessa altura eu namorava com uma americana do Ohio e disse-lhe que queria que os nossos filhos fossem muçulmanos. Ela perguntou-me o que era ser muçulmano e eu respondi: ‘Sei lá, estou há tanto tempo afastado do Islão, tenho de ir aprender’. Eu era um infiel, mais interessado em mulheres e discotecas mas também o que se podia esperar de alguém que era amigo de Woody Harrelson?”, relembra Badreya, com uma sonora gargalhada.

Na mesquita, Badreya empenhou-se como um devoto. Ajudou a criar uma biblioteca. Era tão respeitado que lhe chamavam xeque. A namorada do Ohio com quem se casou em 1990 e tem dois filhos disse ao New York Times que o marido ficou “um pouco fanático”.

E ele admite: “Sim, cheguei a usar a galabaya [túnica] e uma barba longa. E recomendei que a minha mulher usasse o hijab [lenço] quando nos encontrávamos com estranhos que vinham da Arábia Saudita ou do Kuwait. Digo mais: a mesquita ajudou-me a compreender estas pessoas e o que as motiva. O empenhamento deles era intenso, e era fácil ser recrutado por eles. Agradou-me a submissão a Deus e ainda rezo todos os dias.”

Ao NYT, Badreya reconheceu que se estivesse perdido na América, provavelmente estaria hoje entre os jihadistas e salafistas de Osama bin Laden. A nós, diz-nos que também poderia ter ido para o Afeganistão nos anos 1980, porque nessa altura “a CIA andava a recrutar jovens árabes para as fileiras dos MujahedIn [guerreiros], que lutavam contra os invasores soviéticos em Cabul com armas da América.” Mas não o seduziram – “eu gostava mais das noites loucas” – e ele regozija-se: “Esses jovens foram depois abandonados pelos e tornaram-se inúteis.”

PHOTO 6 - AmericanEast

Em 2007, Sayed Badreya foi, pela primeira vez, protagonista num filme em língua inglesa de que foi co-argumentista: AmericanEast. Contracenou com outro actor árabe-americano famoso, Tony Shalhoub (ambos na foto). Faz o papel de um amável imigrante árabe, com família na América
© Sayed Badreya

Hoje, ele é um “terrorista” apenas na tela, sem complexos por ganhar a vida deste modo. Aos que acusam Hollywood de desumanizar os árabes com estereótipos racistas, Badreya responde: “Sabe qual é a diferença entre os afro-americanos e os árabes-americanos? Eles fazem a sua própria história. Spike Lee fez os seus filmes e os negros que fazem filmes têm poder. Os árabes americanos preferem investir no imobiliário e em bombas de gasolina. Não agem, só reagem. Culpam os outros e choram, choram. “

“Somos uma comunidade muito dividida – há cristãos e muçulmanos, ricos e pobres, os que vieram do Egipto e os que vieram do Líbano. Cada um tem uma agenda diferente. Às vezes até se insultam uns outros. A Fatah e a OLP chamam terrorista ao Hamas. Ora, se nos chamamos a nós próprios terroristas, e nos vemos como inferiores aos outros, os outros agem connosco da mesma forma.”

“Também é importante dizer que, se nos filmes americanos o homem branco chega ao mundo árabe e o xeque tenta roubar-lhe a mulher para o seu harém, nos filmes egípcios, por exemplo, são os americanos a roubar as mulheres árabes”, acrescenta Badreya.

“No cinema egípcio não há actores negros. As mulheres estrangeiras são depravadas. Os judeus roubam. Os homens brancos são bêbados. Portanto, também temos os nossos estereótipos. E quando os egípcios fazem filmes sobre os fundamentalistas islâmicos representam-nos tal qual os americanos representam os fundamentalistas.”

PHOTO 7 - Iron Man

Para Sayed Badreya, 2008 foi um dos melhores anos da sua carreira, ao cativar audiências como Abu Bakaar,  vilão e traficante de armas que rapta Tony Stark (Robert Downey Jr. – ambos na foto) no grande blockbuster Iron Man (“Homem de Ferro”)
© Sayed Badreya

“Eu já não sou apenas actor, mas também produtor [criou a Zoom in Focus] e tornei-me Num dos principais consultores em Hollywood sobre árabes e a língua árabe. Por exemplo, fui ouvido por James Cameron em True Lies. Fui conselheiro num filme sobre o 11 de Setembro. Também sou consultor para série de televisão. Ajudo a compor as personagens, o modo como falam ou rezam. Tento que me ouçam. Às vezes os realizadores dão-me ouvidos e outras não.”

E continua: “Olhe, um terrorista para uns é um combatente da liberdade para outros. Para os árabes, os soldados norte-americanos ou israelitas são terroristas, mas os que expulsam os soldados norte-americanos que ocupam os seus territórios são combatentes pela liberdade. Se julgarmos um personagem estamos perdidos.”

“Quando sou o produtor”, confessa, “tenho o poder de fazer de bonzinho. Em AmericanEast faço o papel de um imigrante árabe com família estabelecida na América. É uma pessoa amável que tenta ajudar toda a gente, apesar das adversidades. Quer abrir um restaurante e precisa de um sócio, mas o único que lhe aparece é um judeu e nem todos aceitam bem. A sua irmã recusa-se a casar com o seu primo, prestes a chegar. O seu filho quer ser cristão para não ser maltratado na escola por outros rapazes. A sua filha fuma haxixe. O FBI começa a investigá-lo porque ele envia dinheiro para o Egipto e suspeita que está a financiar terroristas.”.

Já em T. for Terrorist, produzido pela sua Zoom in Focus com a colaboração de Tony Shalhoub, popular protagonista da série Monk e com quem criou o Arab-American Film Award para dinamizar a intervenção da comunidade nesta indústria, Badreya faz o papel de um actor que, cansado de papéis de terrorista, força o estúdio a dar-lhe o papel do herói.

PHOTO 8 - ClooneyL

George Clooney, um dos ídolos de Sayed Badreya, convidou-o para entrar em Three Kings /Três Reis (ambos na foto, na estreia). Neste filme, o actor egípcio-americano aparece como major do exército de Saddam Hussein, disparando indiscriminadamente sobre iraquianos indefesos
© Sayed Badreya

PHOTO 8 -The Path to 911

Sayed Badreya foi actor, formador em dialecto árabe e conselheiro sobre questões islâmicas em Path to 9/11 (na foto), mini-série televisiva sobre os acontecimentos que conduziram aos atentados da al-Qaeda em Nova Iorque e Washington, a 11 de Setembro de 2011. Produzida pela ABC/Touchstone, custou 40 milhões de dólares
© Sayed Badreya

Badreya gosta de heróis. “Em rapaz, quando ia ao cinema, adorava John Wayne porque ele era bigger than life. Era um herói. Eu gostava de brincar com os meus irmãos aos índios e cowboys. Eu era o cowboy. Para ser franco, os meus heróis na altura eram Muhammad Ali [o pugilista] e [o Presidente egípcio Gamal Abdel] Nasser.”

Actualmente, a sua simpatia vai para George Clooney com quem contracenou em Three Kings (“Três Reis”) – uma breve aparição como major do exército de Saddam disparando indiscriminadamene sobre iraquianos indefesos. “Ele tem muito para dar. É como um porta-voz da humanidade.” Também gostou muito de trabalhar com Al Pacino em The Insider (“O Informador”, protagonizado por Russell Crowe, 1999), onde faz de combatente do Hezbollah.

Se tivesse de interpretar o papel de um herói egípcio, Badreya não escolheria Nasser nem Sadat, embora Sadat tivesse sido “um visionário que foi até Israel dizer-lhes que não teriam paz enquanto não devolvessem o Sinai”, e Nasser tivesse sido “um revolucionário que deu educação ao povo”. A admiração pelos anteriores líderes não a oferece a Hosni Mubarak [deposto em Fevereiro de 2011].

PHOTO 9 - The Dictator

Na estreia do filme The Dictator, protagonizado por Sascha Baron Cohen e onde desempenha o papel de pai do ditador
© Sayed Badreya

“Nasser tinha 32 anos quando chegou ao poder. Cometeu muitos erros e foi derrotado na guerra de 1967, Mas tinha uma agenda. Desde os tempos dos faraós que sempre tivemos uma agenda nacional, fosse construir as Pirâmides ou a barragem de Assuão. Com Mubarak, o Egipto tem andado aos círculos. Ele tem 80 anos, o seu governo é composto de gente velha, enquanto 65% dos egípcios tem menos de 25 anos.”

O herói cinematográfico de Badreya será um velho cristão copta cujo filho foi esbofeteado pelo filho do emir do Egipto Omar ibn al-A’as que se recusou a aceitar a derrota numa corrida. O velho copta foi até Medina, viajando de camelo durante meses, para denunciar o sucedido ao califa Omar al-Khatab. Este ordenou que o filho do emir fosse esbofeteado pelo rapaz que agredira.

“Quero fazer o papel desse homem que acreditou que um governante islâmico reconheceria o seu direito. É uma bela história.”

Hoje quando olha para trás, Badreya dá por si a pensar: “Tudo conspirava contra mim. Sempre tive dificuldades. Tive sempre de trepar. Tornou-se parte da minha personalidade, ter de lutar.” Antes do telefonema acabar, sublinha: “Eu não sou vítima. Os árabes-americanos não deviam sentir-se vítimas. Temos algo para oferecer a este país. EUA] Não podemos ficar sentados e a chorar. Posso estar errado ao representar certos papéis que passam uma imagem negativa. Mas não fico de braços cruzados.”

© Sayed Badreya

© Sayed Badreya

Este artigo foi publicado originalmente pelo jornal PÚBLICO em 2008. | This article was originally published in the Portuguese newspaper PÚBLICO in 2008

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