É o medo que constrói muros

Do Iraque à Malásia, de Ceuta à Cisjordânia, do Botswana ao México, proliferam “barreiras de separação” e “vedações de segurança”. Delimitam fronteiras e afugentam imigrantes, contrabandistas, terroristas, pandemias. São uma “brutal arquitectura da vergonha”. (Ler mais | Read more…)

O Muro de Berlim começou a ser construído, pelas autoridades da antiga República Democrática da Alemanha (RDA) em 13 de Agosto de 1961. O objectivo principal era evitar a deserção para o sector ocidental da cidade, capital da República Federal da Alemanha (RFA). O muro foi derrubado em 1990 quando a URSS entrou em colapso.   @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)

O Muro de Berlim começou a ser construído, pelas autoridades da antiga República Democrática da Alemanha (RDA) em 13 de Agosto de 1961. O objectivo principal era evitar a deserção para o sector ocidental da cidade, capital da República Federal da Alemanha (RFA). O muro foi derrubado em 1990 quando a URSS ruiu
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Em Junho de 1987, junto à Porta de Brandenburgo, em Berlim, o Presidente norte-americano Ronald Reagan lançou um desafio ao seu homólogo soviético: “Se procura a paz, a prosperidade e a liberalização, senhor Gorbatchov abra esta porta! Senhor Gorbatchov derrube este muro.”

Para os que o ergueram, em 1961, era o antifaschistischer Schutzwall ou “muro de protecção anti-fascista”. Para os críticos, era o Schandmauer ou “muro da vergonha”. Vinte anos depois do discurso de Reagan, os Estados Unidos tornaram-se, aparentemente, nos maiores construtores de muros.

Desde a sua fronteira com o México, onde querem impedir a entrada de imigrantes ilegais, até Adhamiya, distrito de Bagdad, onde procuraram travar uma guerra civil. Mas os EUA não estão sozinhos.

Há cada vez mais muros, embora as designações politicamente correctas sejam agora “barreira de separação” ou “vedação de segurança”. Também os que saltam os muros deixaram de ser, como os de Berlim, “heróis da liberdade”, para se tornarem em “potencial ameaça”.

“A proliferação de muros aumentou à medida que o mundo se tornou mais interligado”, reconhece, numa entrevista que nos deu, por e-mail, Donald Steinberg, [antigo] vice-presidente do International Crisis Group (ICG). “As nações tomaram consciência dos efeitos desestabilizadores – de fluxos de refugiados, tráfico de drogas, armas e pessoas até doenças pandémicas – que os conflitos podem transmitir através de fronteiras e através de regiões.”

Na capital iraquiana, o exército norte-americano ergueu, a partir de 2007, blocos de cimento armado, de quase cinco metros de altura, oficialmente para impedir que combatentes xiitas e sunitas ataquem os civis das duas comunidades. As duas comunidades protestaram, alegando que a construção apenas reforça o isolamento e as tensões entre ambas.

Para Charles Crain, jornalista da revista TIME, nem xiitas nem sunitas aceitam o muro porque uns e outros “não querem pôr fim à guerra civil mas ganhá-la”, e isso já é um indicador de como a estratégia militar dos EUA está a falhar.

As críticas foram tantas, do Governo e da população do Iraque, que a construção da “barreira de separação” teve de ser abrandada, ainda que não tenha sido suspensa.

Disse Crain que os habitantes sunitas de Adhamiiya “já são prisioneiros” neste seu reduto. Poucos se arriscam a deixar os bairros que habitam, frequentemente alvo de ataques de morteiros, porque têm de atravessar território xiita.

Além disso, acrescenta o enviado da TIME, “um muro só é efectivo quando os guardas protegem os seus portões, e os sunitas têm todas as razões para desconfiar dos homens [xiitas] que têm as chaves dos seus bairros”.

Os EUA insistem em que o muro de Adhamiiya é temporário, mas os iraquianos temem que se torne permanente. É um receio partilhado pelos palestinianos em relação ao muro que separa Jerusalém da Cisjordânia – uma rede de barreiras, vedações e fossos que duplica a extensão das fronteiras internacionalmente reconhecidas de Israel, ao incluir, no Estado judaico, colonatos construídos em território ocupado.

Em Bagdad, o exército norte-americano ergueu, a partir de 2007, blocos de cimento armado, de quase cinco metros de altura, oficialmente para impedir que combatentes xiitas e sunitas ataquem os civis das duas comunidades. As duas comunidades protestaram, alegando que a construção apenas reforça o isolamento e as tensões entre ambas. @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)

Em Bagdad, o exército norte-americano ergueu, a partir de 2007, blocos de cimento armado, de quase cinco metros de altura, oficialmente para impedir que combatentes xiitas e sunitas ataquem os civis das duas comunidades. As duas comunidades protestaram, alegando que a construção apenas reforça o isolamento e as tensões entre ambas
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Tal como em Bagdad, também o muro da Cisjordânia, em algumas zonas atingindo oito metros de altura, para uma extensão final de 703 quilómetros (58% já construídos), tem sido muito criticado. Para os palestinianos, é um “muro racista”, obra ilegal que transforma povoações em guetos, anexa áreas populacionais e de cultivo sob pretexto de segurança e cria factos consumados que invalidam uma solução negociada do conflito.

Para uma maioria de israelitas, aquilo a que eles chamam de “vedação pela vida” tem servido para diminuir a infiltração de terroristas no seu Estado e reduzir drasticamente o número de atentados suicidas. O Supremo Tribunal de Israel, embora justificando a legalidade do muro “por questões de segurança”, já obrigou o Governo a modificar o traçado por “motivos humanitários”.

A ONU também alertou para o facto de esta “barreira de separação” limitar a liberdade de movimentos de cerca de 50 mil palestinianos de 38 aldeias e vilas nas regiões mais férteis da Cisjordânia, onde têm sido confiscados vários hectares de terras e arrancadas centenas de oliveiras e árvores de fruto.

Entre os poucos israelitas que se opõem ao muro, Eyal Weizman, director do Goldsmiths College’s Centre for Research Architecture, em Londres, qualifica-o de “contraproducente, a curto e longo prazo”, propício a fomentar as actividades subversivas que, pretensamente, quer evitar. E dá um exemplo: o muro construído na Faixa de Gaza, em 1994, “não impediu que os palestinianos escavassem túneis para contrabando de armas e raptar soldados.

“Os muros são impotentes”, frisa Weizman, autor de Hollow Land, Israel’s Architecture of Occupation (Verso Press), numa entrevista que nos deu, por telefone, a partir de Londres. “O medo que existe [dos atentados em Israel] não é proporcional à angústia, sofrimento e destruição que são impostos aos palestinianos. Os governos querem mostrar ao povo que estão a fazer algo, mas os muros apenas são úteis por motivos psicológicos.”

Para Weizman, o velho ditado americano de que “bons muros fazem bons vizinhos” não se aplica a Israel, porque a “barreira” da Cisjordânia está a ser erguida em território ocupado. “Por que não se construiu um muro em redor de Telavive? Nas fronteiras internacionais do Estado [israelita]? Que sentido faz eu querer proteger-me do meu vizinho construindo um muro no quintal dele? É a isso que chamam segurança?”

O que os israelitas designam por “barreira de segurança” e os palestinianos por “muro do apartheid” separa Jerusalém da Cisjordânia ocupada na guerra de 1967. No final da construção, ocupará um total de 703 quilómetros (58% já construídos). Muitas terras foram expropriadas para que as obras contemplassem esta “divisória” mas também a expansão de colonatos judaicos. @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)

O que os israelitas designam por “barreira de segurança” e os palestinianos por “muro do apartheid” separa Jerusalém da Cisjordânia ocupada na guerra de 1967. No final da construção, ocupará um total de 703 Km (58% já construídos). Muitas terras foram expropriadas para que as obras contemplassem esta “divisória” mas também a expansão de colonatos judaicos
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“Não há nada de errado nos muros”, acentua o arquitecto israelita. “O problema está na política e na estratégia por detrás dos muros. O Muro de Berlim era uma cortina de ferro para aprisionar as pessoas que queriam fugir para o Ocidente. Os muros actuais são uma nova e brutal arquitectura da vergonha. Os muros tornaram-se símbolos do medo. Medo do terrorista. Medo do imigrante. Medo de tudo.”

Donald Steinberg, do ICG, concorda com Weizman: “As barreiras físicas têm sido pouco eficazes, e a sua construção é geralmente motivada por uma decisão política de modo a responder ao generalizado ressentimento popular contra a infiltração de grupos armados. (…) Os muros são construídos para mostrar ao povo que os governos estão preocupados em fazer alguma coisa.”

Quanto ao ditado dos bons muros fazerem bons vizinhos, também Steinberg o considera mais do que nunca obsoleto. “Ao separar pessoas de aldeias vizinhas, de empregos ou de mercados, os muros estão, no fundo, a exacerbar tensões”, disse.

Para Steinberg, a gigantesca vedação – ocupa mais de mil de um total de 3300 quilómetros – que os EUA estão a construir na fronteira com o México “serve menos para excluir imigrantes ilegais e mais para reagir aos instintos xenófobos de alguns, que acusam os imigrantes ilegais de ficarem com os empregos dos norte-americanos e de sobrecarregarem serviços públicos, como escolas, hospitais e o sistema de segurança social”.

A barreira inclui áreas urbanas de San Diego (Califórnia) e El Paso (Texas), desviando os indesejáveis clandestinos para zonas inóspitas do deserto do Arizona, onde muitos acabam por morrer na travessia – calcula-se que uma média de nove por semana.

Os defensores desta fortificação alegam que o velho “Muro da Tortilha”, em Tijuana, conseguiu diminuir o fluxo de indocumentados nos EUA, de meio milhão por ano para 130 mil em 2006. Não impediu, porém, um próspero negócio de túneis subterrâneos para traficar pessoas e falsificar identificações.

Na fronteira com o México, os Estados Unidos construíram uma gigantesca vedação - ocupa mais de mil de um total de 3300 quilómetros -, para excluir, principalmente, os imigrantes ilegais.  A barreira inclui áreas urbanas de San Diego (Califórnia) e El Paso (Texas), desviando os indesejáveis clandestinos para zonas inóspitas do deserto do Arizona, onde muitos acabam por morrer na travessia - calcula-se que uma média de nove por semana. @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)

Na fronteira com o México, os EUA construíram uma gigantesca vedação – ocupa mais de mil de um total de 3300 quilómetros -, para excluir, principalmente, imigrantes ilegais. A barreira inclui áreas urbanas de San Diego (Califórnia) e El Paso (Texas), desviando clandestinos para zonas inóspitas do deserto do Arizona, onde muitos acabam por morrer na travessia; calcula-se que uma média de 9 por semana
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O arquitecto israelita Eyal Weizman nota que também este muro é “uma obra unilateral”. Porque “é fácil a quem vem dos Estados Unidos entrar no México mas é muito mais difícil a quem vem do México entrar nos EUA”. É, na sua opinião, o que acontece na Cisjordânia: “Os colonos e soldados israelitas podem atravessar o muro mas os palestinianos não.”

Para trancar a porta a imigrantes e contrabandistas no Norte de África, os espanhóis também construíram muros a separar Ceuta e Melilla de Marrocos, que reclama soberania sobre aqueles enclaves autónomos. Como acontece nos EUA, os que procuram emprego e vida digna são obrigados a encontrar vias alternativas, como o Estreito de Gibraltar, onde muitos perdem a vida.

O muro de Ceuta custou 30 milhões de euros e foi financiado pela União Europeia. Consiste em vedações de arame farpado de 3 metros de altura, com torres de vigia, sensores de ruído e movimento e câmaras de vídeo.

O muro de Melilla, também munido de todo este equipamento de detecção, é constituído por três vedações ao longo de uma montanhosa zona-tampão na fronteira hispano-marroquina. A terceira vedação foi mandada erguer, em 2005. Com 11 quilómetros de comprimento e três metros de altura, custou 33 milhões de euros.

Para trancar a porta a imigrantes e contrabandistas no Norte de África, os espanhóis construíram muros a separar Ceuta e Melilla de Marrocos, que reclama soberania sobre aqueles enclaves autónomos. O de Ceuta custou 30 milhões de euros e foi financiado pela União Europeia; o de Melilla foi avaliado em 33 milhões de euros. @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)

Para trancar a porta a imigrantes e contrabandistas no Norte de África, os espanhóis construíram muros a separar Ceuta e Melilla de Marrocos, que reclama soberania sobre aqueles enclaves autónomos. O de Ceuta custou 30 milhões de euros e foi financiado pela União Europeia; o de Melilla foi avaliado em 33 milhões
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Marrocos, por seu turno, embora critique os muros espanhóis, também construiu, nos anos 1980, uma das mais longas barreiras fronteiriças – blocos de terra, areia e pedra com cerca de 2700 quilómetros de comprimento e mais de 30 metros de altura -, para travar os ataques da Frente Polisário, movimento que luta pela independência do Sara Ocidental.

O muro do Sara, composto por vedações, bunkers, arame farpado e minas terrestres, é defendido por “200 mil a vários milhões” de soldados marroquinos, estimativas que variam consoante as fontes. A posição crítica de Marrocos em relação a Espanha assemelha-se à de vários países árabes em relação a Israel.

O muro da Cisjordânia, por muitos repudiado como “muro do apartheid“, tal como outras barreiras instaladas pelos israelitas, em Gaza, e nas fronteiras com o Egipto, o Líbano e a Síria, têm servido de modelo a responsáveis na Arábia Saudita e no Kuwait.

No caso dos sauditas, estes não só tencionam concluir uma longa barreira de tubos e sacos de areia (interrompida há três anos) para definir a contenciosa fronteira com o instável Iémen, como continuam a investir milhões de dólares no sentido de reforçar uma vedação de 880 quilómetros de comprimento que os separa do turbulento Iraque.

Este muro fortificado está a ser apetrechado com sensores, câmaras de visão nocturna e software para reconhecimento de rostos.

O Kuwait, que em 1990 sofreu uma invasão das tropas de Saddam Hussein, também selou os 217 quilómetros da sua fronteira com o Iraque colocando ferro electrificado e abrindo um fosso de dois metros de profundidade. Tudo sob constante vigilância de centenas de soldados, vários navios de patrulha e helicópteros. A obra foi avaliada em 29 milhões de dólares.

É de 550 quilómetros a barreira de duplo arama farpado, electrificado, com sensores e alarmes, que divide a Caxemira em zonas controladas pelo Paquistão, que denuncia violação das resoluções da ONU, e pela Índia, que alega ter reduzido reduzir em 80% os ataques terroristas, alguns deles suicidas. @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)

É de 550 km a barreira de duplo arama farpado, electrificado, com sensores e alarmes, que divide a Caxemira em zonas controladas pelo Paquistão, que denuncia violação das resoluções da ONU, e pela Índia, que alega ter reduzido em 80% os ataques terroristas, alguns deles suicidas
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Igualmente inspirado nas barreiras de separação israelita é o muro de 550 quilómetros que divide a Caxemira em zonas controladas pela Índia e pelo Paquistão.

O objectivo é impedir não só o contrabando de armas mas também a infiltração de activistas que lutam por um estado islâmico. É mais um muro de duplo arame farpado, electrificado, com sensores e alarmes.

Os paquistaneses alegam que se trata de uma violação das resoluções da ONU. Os indianos, autores do projecto, garantem que deste modo conseguiram reduzir em 80% os ataques terroristas, alguns deles suicidas.

Travar a passagem de contrabandistas e extremistas religiosos é também a razão que levou a Tailândia a propor à Malásia a construção de uma barreira de 640 quilómetros na fronteira comum.

O mesmo objectivo, o de cortar o acesso aos insurrectos Taliban e seus aliados, foi invocado pelo Paquistão, quando começou a erguer um muro ao longo dos 2500 quilómetros de fronteira com o Afeganistão. A iniciativa gerou críticas por parte de Cabul, e já deu origem a incidentes fronteiriços com os militares de ambos os países.

Na Ásia Central, as antigas repúblicas soviéticas do Uzbequistão e do Quirguistão estão separadas por um muro de arame farpado desde 1999. Foi uma decisão unilateral dos uzbeques, quando Tashkent, a sua capital, foi alvo de ataques à bomba por parte de rebeldes islamistas quirguizes.

A medida causou graves transtornos económicos, já que separou muitas famílias numa região que era antes integrada.

Uma linha de 300 quilómetros separa o Norte do Sul de Chipre. Recentemente, o muro do que os cipriotas gregos chamam Nicósia e os cipriotas turcos designam por Lefkosia foi derrubado e substituído por placas de alumínio. Facilitou-se a comunicação entre os dois sectores da última cidade dividida da Europa, mas não se avançou para a unificação. @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)

Uma linha de 300 km separa o Norte do Sul de Chipre. Recentemente, o muro do que os cipriotas gregos chamam Nicósia e os cipriotas turcos designam por Lefkosa foi derrubado e substituído por placas de alumínio. Facilitou-se a comunicação entre os dois sectores da última cidade dividida da Europa, mas não se avançou para a unificação.
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Os exemplos de muros, activos ou desactivados, são muitos. Em África, um dos mais simbólicos continua a ser a vedação electrificada de 120 quilómetros na fronteira da África do Sul com Moçambique, erguida em 1975, para impedir que a guerra na ex-colónia portuguesa afectasse o Parque Nacional de Kruger.

A vedação era conhecida localmente como Cobra de Fogo. As suas descargas de 3300 volts matavam sobretudo mulheres e crianças que fugiam aos combates entre os guerrilheiros da Frelimo, no poder, e os da Renamo, agora principal partido da oposição. Líderes religiosos regionais calculam que 200 moçambicanos morriam por ano ao tentar saltar o muro.Até 1989, estima-se que cerca de 3000 perderam a vida – ou seja, mais do que o total de mortos no Muro de Berlim (80 em 28 anos).

Em 2002, Moçambique, a África do Sul e o Zimbabwe concordaram em derrubar o muro, para reabrir uma antiga rota de migração de elefantes, mas três anos depois surgiram notícias de que só uma parte tinha sido demolida, por persistirem receios de imigração ilegal e contrabando de armas.

Em 2003, também o vizinho Botswana ergueu uma vedação eléctrica de 480 quilómetros na fronteira com o Zimbabwe, justificando que só assim poderia “manter afastado gado com febre aftosa e garantir que os visitantes desinfectavam o calçado à entrada”.

Para Donald Steinberg, vice-presidente do ICG, o objectivo do muro era “afastar centenas de milhares de zimbabweanos desesperados”, mas não conseguiu e “permanece um sinal visível da intransigência do Governo do Botswana”.

As chamadas Linhas da Paz de Belfast - cerca de 40 barreiras de ferro, tijolo e aço, de mais sete metros de altura, erguidas no início dos anos 1990 para minimizar a violência sectária entre católicos e protestantes - são agora atracções turísticas. @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)

As chamadas Linhas da Paz de Belfast – cerca de 40 barreiras de ferro, tijolo e aço, de mais sete metros de altura, erguidas no início dos anos 1990 para minimizar a violência sectária entre católicos e protestantes – são agora atracções turísticas
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Na Europa, depois da queda do Muro de Berlim, permanece desde 1974 uma linha divisória de 300 quilómetros entre o Norte e o Sul de Chipre. Recentemente, o muro de Nicósia/Lefkosa foi derrubado e substituído por placas de alumínio, facilitando a comunicação entre os sectores de maioria grega e turca. Mas uma reunificação como na Alemanha, em 1990, ainda parece longínqua. Mais perto da reconciliação está a Irlanda do Norte.

As chamadas Linhas da Paz de Belfast – 99 barreiras de ferro, tijolo e aço, algumas até 6 metros de altura – começaram a ser erguidas em 1969, para minimizar a violência sectária entre católicos e protestantes. Muitas são agora atracções turísticas.

Steinberg admite que as linhas de Belfast conseguiram poupar algumas vidas. Mas está cada vez mais convencido de que “um muro é principalmente um exercício simbólico, já que a verdadeira garantia de paz e não ingerência é o diálogo, o equilíbrio militar e relações amigáveis”.

© zed

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Este artigo, agora revisto, foi publicado originalmente no jornal PÚBLICO em 4 de Maio de 2007 | This article, now revised, was originally published in the Portuguese newspaper PÚBLICO on May 4, 2007

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