As mulheres de Hillaryland

Da inseparável conselheira Huma Abedin à filha única, Chelsea, Hillary Clinton rodeou-se de um círculo restrito onde amigas leais e de longa data se juntam a recém-chegadas estrategas e operacionais – as melhores do mundo. Uniram-se para fazer história na América. (Ler mais…)

© John Kuntz | The Plain Dealer

Uma das promessas de Hillary Rodham Clinton (HRC) é a de que, se vencer as eleições em Novembro [de 2016], a sua administração terá o mesmo número de mulheres e homens. Só exprimir este desígnio foi considerado histórico num país onde os homens constituem mais de 80% dos membros da Câmara dos Representantes e quase 90% dos governadores.

[Hillary conquistou 65.844.610 votos (48,2 %), contra 62.979.636 votos (46,1%) de Donald Trump, mas seria o republicano a tomar posse, em Janeiro de 2017, como 45º Presidente dos EUA, graças aos 306 votos que obteve no Colégio Eleitoral. Ela contou com 232.]

HRC quer provar que a sua vitória é importante não apenas porque seria a primeira Presidente dos EUA mas porque sempre tem lutado para que os direitos das mulheres sejam reconhecidos como direitos humanos.

A licença de maternidade, Family and Medical Leave, tornou-se lei federal em 1993 graças a ela, quando era primeira dama. O Paycheck Fairness Act – salário igual para trabalho igual – foi uma das suas batalhas legislativas como senadora. E foi ela, como secretária de Estado, que abriu o primeiro Office of Global Women Issues, estabelecendo parcerias com mulheres em todos os continentes, para garantir que a igualdade de género seja pedra angular na política internacional.

Hillary aprendeu com os erros da campanha de 2008, quando perdeu para Barack Obama. Em 2016, distancia-se de um feminismo “só para brancas, cultas e de classe média”. A missão da sua Team for America é comprovar que ela “não é apenas um símbolo mas uma líder”.

Huma Abedin: A confidente

© Getty Images

Huma Mahmoud Abedin sonhava “ser a próxima Christiane Amanpour”, estrela da CNN. Inscreveu-se em Jornalismo na Universidade de George Washington, e ficou espantada quando um professor lhe ofereceu um livro de História dos Estados Unidos, dizendo: “Pelas conversas que temos tido nas aulas, acho que vai consultá-lo muitas vezes.”

Em 1996, terminada a licenciatura, concorreu a um lugar de estagiária na Casa Branca. Esperava trabalhar com o secretário para a imprensa, Mike McCurry. Colocaram-na noutro gabinete, o da primeira dama. Tinha 19 anos. Mal sabia ela que, duas décadas depois, iria tentar ajudar Hillary Clinton  a entrar na história da América como a primeira Presidente.

Uma vitória de Hillary nas eleições de 8 de Novembro será, também, uma vitória de Huma, directora-adjunta da sua campanha eleitoral – a “sombra”, a “confidente”, a “guardiã”, a “estratega”, o “canivete suíço que tudo resolve”. Para chegar ao clã Clinton, observou a revista Madame Figaro, é melhor ter o número de telemóvel de Huma Abedin. “Ela é essencial, incontornável, vital.”

Huma admite que ficou surpreendida quando a colocaram no gabinete de Hillary, servindo de intermediária de mensagens políticas. “Que choque cultural!”, disse à Vogue. “Eu tinha crescido num país onde não havia eleições. Ninguém votava”.

O país onde Huma Abedin cresceu foi a Arábia Saudita, muito diferente de Kalamazoo, cidade no estado do Michigan, famosa pelas destilarias e cervejarias, onde nasceu em 1976. Tinha 2 anos quando os pais, o académico indiano Syed Zainul e a socióloga paquistanesa Saleha Mahmoud, a levaram para Jidá.

Mais liberal do que Riade, capital do reino, Jidá permitiu que Huma e os três irmãos fossem educados num ambiente multicultural. Frequentaram escolas inglesas. Em casa, treinavam o hindi, o urdu e o árabe. Nos tempos livres, tinham aulas de natação e equitação.

© Getty Images

Foi em Jidá que o pai de Huma fundou o think tank Institute of Muslim Minority Affairs e se tornou director do Journal of Muslim Minority Affairs. O objectivo era “assegurar os direitos legítimos” das minorias muçulmanas espalhadas pelo mundo.

Quando Syed Zainul morreu, em 1993, Saleha Mahmoud assumiu a direcção do instituto e da revista, cargos que ainda exerce. Vários artigos publicados entre 1996 e 2008, período em que Huma foi directora-adjunta, geraram controvérsia nos EUA.

Num dos textos, citado pelo New York Post, o autor argumenta que “mães solteiras ou casais gays com filhos não devem ser reconhecidos como famílias”. Críticos associaram os Abedin à Irmandade Muçulmana – improvável, porque a confraria é ilegal na Casa de Saud.

Em declarações à Vogue, Huma garantiu que Saleha é uma feminista que advoga mais poderes para as mulheres. Foi-lhe mais fácil defender a mãe do que o marido, Anthony Weiner, de quem aceitou divorciar-se, em Agosto, apenas depois de ele ser apanhado num terceiro escândalo sexual.

Weiner e Huma conheceram-se numa reunião do Partido Democrata, em 2001, durante o primeiro mandato de Hillary como senadora. Em 2008, começaram a namorar e em 2010 casaram-se. A cerimónia civil (ela é muçulmana e ele judeu) foi presidida por Bill Clinton.

Huma, que às vezes se imagina designer de moda, estava deslumbrante num vestido Oscar de la Renta, o seu criador favorito. Hillary aproveitou o momento para demonstrar o inestimável apreço pela sua conselheira: “Ela é, para mim, uma segunda filha”.

O primeiro Weinergate rebentou em 2011, já Hillary era secretária de Estado. Huma era vice-chefe de gabinete. Anthony enviara uma foto do pénis em erecção aos 45.000 seguidores no Twitter que se destinava a uma garota em Seattle. Demitiu-se da Câmara dos Representantes. Huma estava grávida e perdoou-o.

Em 2012, incentivado pela mulher, Weiner candidatou-se a mayor de Nova Iorque. Voltou a cair em tentação, com novos tweets sexualmente explícitos. Os Clinton distanciaram-se dele, mas não de Huma, que se dedicou 100% a Hillary (“O trabalho é a minha bússola”) e deixou Anthony a cuidar do filho Jordan, 4 anos, “o bem maior” que os mantivera juntos.

© politico.com

A 29 de Agosto, Huma perdeu a paciência. O New York Post, que a descrevera como “espia ao serviço da Arábia Saudita” publicou, em primeira página, o terceiro sexting do antigo congressista que derrubou uma carreira em ascensão. Numa foto, que acompanha mensagens eróticas trocadas entre Janeiro 2015 e Julho passado, Weiner exibe os órgãos genitais sob a roupa interior, desta vez com Jordan a dormir ao seu lado.

“Após uma longa e dolorosa reflexão e dedicação ao meu casamento, decidi separar-me do meu marido”, anunciou Huma num comunicado oficial. “Anthony e eu continuaremos empenhados em fazer o melhor pelo nosso filho, que é a luz da nossa vida. Durante este período difícil, peço respeito pela nossa privacidade.”

O pedido foi ignorado pelo candidato republicano, Donald Trump: “Só estou preocupado com o país, porque Hillary Clinton foi negligente e descuidada ao permitir que Weiner estivesse tão próximo de informação altamente classificada [a que Huma tem acesso]”.

Subitamente, o “pesadelo” de Huma – foi assim que ela se referiu ao adultério de Anthony no premiado documentário Weiner –, parece ter ofuscado um escândalo de maiores proporções que também a fragiliza: o emailgate, mensagens privadas entre o Departamento de Estado e a Fundação Clinton. Huma terá sido contactada para facilitar encontros entre Hillary e doadores da fundação que invocaram milionárias contribuições para terem esse privilégio. Aparentemente, Huma não comprometeu a chefe, mas os adversários republicanos alegam conflito de interesses.

Sob intensa pressão, Hillary e Huma têm erguido um muro de silêncio. São cada vez mais inseparáveis. Nos últimos anos, Huma revelou à Vogue que recebeu muitas propostas para deixar HRC. “Parava para pensar: ‘Será que eu gostaria tanto de fazer o que faço agora? A resposta nunca foi sim.’”

Stephanie Hannon: A primeira CTO

© flickr.com

Se Huma Abedin é uma “velha amiga”, Stephanie Hannon é uma recém-chegada, não menos valiosa. O seu currículo no Linkedin é impressionante. Desde que saiu da universidade de Harvard até entrar na equipa de Hillary como directora de tecnologia – a primeira mulher a desempenhar o cargo de CTO (Chief Techology Officer) numa campanha presidencial.

Um dos pontos altos da carreira, iniciada em 1996, foi o seu trabalho na Google. Foi ela quem, por exemplo, ajudou a expandir o Gmail, internacionalizando-o em 35 línguas, desenvolvendo mecanismos para o tornar mais fiável e prevenir o spam.

Outro exemplo: foi ela quem liderou o projecto Google Maps para a Europa, Médio Oriente e África, lançando domínios e códigos geográficos em 25 países.

Hannon trabalhou, também, para o Facebook, ajudando a rede de Zuckerberg a tornar-se “espaço seguro para a comunicação”. O seu último posto, antes de se juntar a Clinton, em 2015, foi o de directora de gestão de produto da Google, o que lhe permitiu “construir tecnologia inovadora (…) para responder a desastres naturais.” Esta tecnologia já foi testada, com êxito, por socorristas japoneses, depois de um sismo e um tsunami em 2011.

Em 2005, num discurso em Silicon Valley, Hillary apelou às mulheres para “estilhaçarem os tectos de vidro que ainda persistem na indústria tecnológica”.

Stephanie Hannon, que adora nadar com tubarões, sabe que, doravante, pode marcar a diferença. Disse à revista Fortune: “Ser CTO deve ser uma aspiração normal de qualquer rapariga. Foi por isso que aceitei deixar a Google e mudar-me de San Francisco para Brooklyn”, sede de campanha de Clinton.

Hannon chefia todas as operações digitais mas não está sozinha. O seu braço direito é Katie Dow, responsável pelas contas de FB, Instagram e outras. Foi ela que redigiu a famosa biografia de Hillary no Twitter: Wife, mom, grandma, women+kids advocate, FLOTUS, Senator, SecState, hair icon, pantsuit aficionado, 2016 presidential candidate).

Jennifer Palmieri: A supervisora de Lewinsky

© Charles Dharapak | AP

Foi numa festa de aniversário de Jennifer Palmieri, em 1995, que Bill Clinton conheceu Monica Lewinsky, a estagiária com quem o ex-Presidente manteria um caso extramarital que quase levou à sua impugnação.

Lewinsky estagiava na Casa Branca e a sua supervisora era Palmieri, assistente executiva de Leon Panetta, o chefe de gabinete de Clinton com quem iniciou a carreira na política quando ele era apenas congressista. (Panetta seria, posteriormente, chefe da CIA e secretário da Defesa.)

A lealdade da nativa de Pascagoula (Mississippi), hoje com 49 anos, foi recompensada. Bill promoveu-a a vice-secretária para a imprensa e, mais de duas décadas depois, Hillary convidou-a para ser directora de comunicação, o mesmo cargo que desempenhou sob a presidência de Barack Obama (2011-2015).

O caso Lewinsky faz parte do trajecto profissional de Palmieri, mas o escândalo que mais deixou marcas aconteceu em 2008 quando era conselheira de John Edwards. Teve de fazer uma escolha: ou ignorava as mentiras de um dos mais promissores aspirantes a candidato presidencial democrata ou afastava-se deste antigo senador da Carolina do Norte que prometia acabar com a pobreza na América e acabou caído em desgraça. Escolheu a verdade.

Edwards contratara Palmieri como secretária nacional para a imprensa em 2004, quando concorreu pela primeira vez à Presidência. Era tão popular que o partido o considerou digno de ser vice-presidente de John Kerry. Nem um nem outro tiveram sorte: George W. Bush ganhou a eleição.

Quem convenceu Palmieri a trabalhar para o homem que, a princípio, via “apenas como um advogado manhoso” foi Elizabeth, mulher de Edwards. “Ele teria de ser um bom tipo para ela o aturar durante 26 anos”, escreveu num tributo à amiga que morreu de cancro, em 2010.

Na segunda corrida presidencial de Edwards, em 2008, Palmieri já só era consultora a tempo parcial do candidato, dedicando mais tempo ao think tank Center for American Progress, fundado por John Podesta, poderoso director da campanha de Hillary e o estratega que ajudou Bill Clinton a “controlar os danos” do escândalo Lewinsky.

Por respeito a Elizabeth, Palmieri fez tudo para que John Edwards fosse honesto sobre uma relação extraconjugal de que nasceu uma filha. Mas só quando se viu confrontado com acusações de desvio de fundos da campanha para ocultar o caso é que ele percebeu que comprometera, irremediavelmente, o futuro político.

Amanda Renteria: A alma latina

© Tom Williams | Roll Call | Getty Images

No mundo das campanhas eleitorais, dizia Mike Feldman, um dos principais conselheiros do ex-vice-presidente Al Gore, “aprende-se mais com quem perde do que com quem ganha”. John Edwards não é exemplo, mas talvez Amanda Renteria, derrotada em 2014, quando tentou conquistar um lugar no Congresso, tenha inspirado Hillary. Hoje, é a sua directora de política nacional.

Não é difícil buscar inspiração na californiana que transpôs as limitações de ser filha de um imigrante mexicano, antigo agricultor, para se afirmar como uma das figuras políticas mais importantes da equipa de Clinton. Na terra natal, Woodlake, o que esperavam dela era que soubesse limpar a casa, tivesse boas notas e fosse, no grupo folclórico, uma exímia “bailadora”.

Ser aluna excelente abriu-lhe as portas da Universidade de Stanford: foi a primeira hispano-americana a ser aqui admitida. Quando a notícia foi anunciada pelo intercomunicador da sua escola secundária, Renteria ficou extasiada, até que uma professora a chamou à parte e disse: “Este não é o teu sucesso mas o da nossa comunidade.”

Em Stanford, quando se apercebeu que o curso custava, por ano, 22 mil dólares, quase desistiu. Juntou-se às equipas de basquetebol (grande paixão) e softball da universidade, o que lhe ofereceu uma bolsa e a reputação de “ambiciosa e competitiva”. Concluídas as licenciaturas em Economia e Ciência Politica, foi trabalhar para o Goldman Sachs, o mais poderoso banco de investimento do mundo.

Foi breve a passagem pela instituição cujo presidente se define como “um banqueiro que faz o trabalho de Deus”. Um dia, ouviu a mãe dizer aos vizinhos que a filha não parecia orgulhosa do que fazia. Deixou Nova Iorque e voltou a Central Valley para ser professora de liceu. Um ano depois, foi fazer um MBA à Harvard Business School. Quando chegou ao Capitólio, em 2005, convenceu-se de que a política era a sua vocação.

Tinha 30 anos quando a senadora Diane Feinstein a escolheu para conselheira económica. Em 2008, Debbie Stabenow elevou-a chefe de gabinete: a primeira latina a ocupar este cargo na história do Senado americano. Ao lado de Stabenow, venceu várias batalhas legislativas, graças à capacidade de servir de ponte entre campos antagónicos.

Há dois anos, a democrata Renteria não conseguiu vencer o republicano David Valadao quando se candidatou ao Congresso. Isso não impediu Hillary de confiar nela a tarefa de mobilizar a comunidade hispânica, que não costuma afluir às urnas em grande número mas se sentiu injuriada quando o candidato republicano, Donald Trump, chamou aos imigrantes mexicanos “criminosos e violadores”.

Kristina Schake: Estratega da popularidade

© msnbc.com

Quem é que não viu a Mom Dance de Michelle Obama e Jimmy Fallon? Mas quantos sabem de quem foi a ideia de levar a primeira dama a participar nesta genial campanha televisiva para minorar o problema da obesidade infantil nos EUA?

A ideia foi de Kristina Schake, e tendo em conta que os vídeos destas performances foram visualizados por dezenas de milhões de pessoas, não admira que ela tenha sido escolhida para vice-directora de comunicação de Hillary.

Poucos acreditam que a ex-advogada formada em Yale, senadora e secretária de Estado venha a dançar com um comediante. Mas todos perceberam que o objectivo da contratação de Schake é melhorar a imagem da candidata sobre quem, em 2008, o então rival Obama ditou uma frase que ainda hoje ecoa: “Ela dirá qualquer coisa mas nada fará”.

Há quem diga que uma das primeiras impressões digitais de Schake foi deixada na Chevrolet Express blindada ou “Scooby Van” (evocativa da carrinha “Máquina Mistério” nos desenhos animados Scooby Doo) com que Hillary arrancou a sua campanha, no Iowa.

Transformar Michelle num ícone pop não é o único mérito de Kristina Schake, 45 anos, fascinada desde criança por museus e galerias de arte. Dedicada a várias causas, começou por ajudar o actor e realizador Rob Reiner a enfrentar as grandes tabaqueiras, conseguindo que fosse aplicado um imposto de 50 cêntimos sobre os maços de cigarros para financiar a educação de crianças.

O ponto alto do seu activismo social foi a luta para anular a Proposition 8, que proibia o casamento de pessoas do mesmo sexo na Califórnia. Foi uma batalha que travou com a ajuda da irmã Kori – uma republicana que foi conselheira de Condoleezza Rice e John McCain mas que, este ano, já anunciou que vai votar em Hillary.

Chelsea Clinton: A herdeira

© Lucas Jackson | Reuters

Ela será “a primeira filha” se HRC for eleita Presidente, mas o sonho não pára aqui. Perguntaram a Chelsea Clinton se concorrer ao lugar que agora a mãe disputa é uma possibilidade no futuro, e a resposta foi: “Certamente!”

William e Hillary criaram Chelsea para ser uma super-estrela, protegendo-a e, ao mesmo tempo, preparando-a para enfrentar os “males do mundo”.

Aos cinco anos, escreveu uma carta a Ronald Reagan (1911-2004). Pedia ao Presidente republicano que não visitasse o cemitério alemão de Bitburgo onde estão as campas de 49 oficiais das SS, responsáveis pelo Holocausto. “Eu vi [o filme] Música no Coração. Os nazis não me parecem gente boa. Por favor não vá.” Ele foi, apesar das críticas, mas primeiro visitou o antigo campo de concentração de Bergen-Belsen.

Se Ronnie a desapontou, Bill ainda a desiludiu mais. Em 1997, acabara de entrar na Universidade de Stanford, para uma licenciatura em História, quando o pai se envolveu numa “relação inapropriada” com Monica Lewinsky.

Num “acto de rebelião”, deixou o aconchego da família. Foi estudar para Oxford, onde completou um mestrado em Relações Internacionais. Apesar de “confusa e magoada”, como Hillary descreve no livro Living History, encorajou os pais a não se divorciarem, mas o perdão demorou tempo.

Rejeitou os primeiros convites de Bill para fazer parte da Fundação Clinton, criada em 1997 e hoje avaliada em 2000 milhões de dólares. Optou por entrar na auditora McKinsey, com a (má) fama de aconselhar empresas sobre a melhor forma de despedir empregados. Foi depois para um fundo de investimento em Wall Street. Concluiu que “o dinheiro não rege [a minha] vida”, e voltou à universidade. Em Columbia, fez um mestrado em Saúde Pública, e aqui foi convidada a ser professora.

Em 2010, casou-se com o banqueiro Marc Mezvinsky, numa cerimónia celebrada por um rabi e um pastor metodista. Bill terá expiado os pecados ao pagar a união que custou 3 milhões de dólares e um apartamento de 10,5 milhões, em Manhattan.

Em 2011, entrou finalmente na Fundação Clinton, onde é agora vice-presidente. No mesmo ano, a NBC contratou-a, por 660.000 dólares, como “correspondente especial”, emprego em part-time que gerou desconforto entre colegas. Diziam dela que era “o fantasma mais bem pago da estação”. Saiu em 2014.

Na fundação que investe sobretudo na saúde (dez milhões de pessoas beneficiam das suas campanhas de prevenção do HIV/sida) e na educação de meninas e mulheres, Chelsea não recebe salário. Ela e o marido têm, cada um, uma fortuna avaliada em 15 milhões de dólares. Ao contrário do pai, ela oferece à instituição 100% dos honorários das suas conferências. Por uma palestra de 10 minutos cobra 65 mil dólares.

Hoje, com 36 anos e dois filhos, Chelsea enfrenta novo escândalo, tal como Huma Abedin: o emailgate, a troca de mensagens privadas que colocou sob fogo a Fundação Clinton. A filha de Bill e Hillary não parece preocupada. Face a uma avalanche de críticas, admitiu que a instituição deixará de receber contribuições de estrangeiros se a mãe for Presidente e que o pai abandonará a direcção e administração. Ela continuará, porém, na liderança. Porque o seu lema é igual ao título do livro que publicou em 2015: It’s Your World: Get Informed, Get Inspired & Get Going (“O mundo é teu: Mantém-te informada, Inspira-te e Segue em frente”).

© Matt Rourke | AP

 

Este artigo, agora actualizado, foi publicado originalmente na revista “Máxima”, edição de Outubro de 2016 | This article, now updated, was originally published in the Portuguese magazine “Máxima”, October 2016 edition

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