Irão está interessado nos moldes portugueses

Um sector que exporta 90% do que produz pode ter encontrado mais um mercado, após uma primeira visita colectiva efectuada  em mais de 30 anos. (Ler mais | Read more…)

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A Indústria Portuguesa de Moldes é constituída por 535 empresas, com mais de 8000 trabalhadores, concentradas nas regiões da Marinha Grande e Oliveira de Azeméis
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A primeira missão colectiva da Indústria Portuguesa de Moldes ao Irão em mais de 30 anos levou a que várias empresas iranianas – incluindo os dois maiores construtores automóveis – considerassem pedir a alguns dos visitantes a cotação de novos projectos que depois serão avaliados em concurso.

“Algumas empresas portuguesas já estavam directa ou indirectamente a cotar projectos para empresas iranianas”, disse-nos Manuel Oliveira, secretário-geral da Associação Nacional da Indústria de Moldes (Cefamol), que promoveu a visita de 13 representantes do sector à República Islâmica, entre 3 e 10 deste mês [Setembro de 2009].

Agora, na avaliação do lançamento de novos produtos, há a expectativa de que outros potenciais clientes estabeleçam também eles contacto com as empresas nacionais.

Os 13 empresários portugueses que se deslocaram ao Irão para “conhecer a realidade do mercado, dar a conhecer os seus produtos e serviços, identificar e explorar oportunidades comerciais concretas”, estão convencidos de que “vale a pena apostar” neste país, declarou, por seu turno, Telmo Fernandes, da consultora Market Access, encarregada pela Cefamol de preparar a missão. “O Irão tem potencial no médio e longo prazo de constituir um destino alternativo relevante das exportações.”

A comitiva, que incluiu representantes das empresas A. Silva Godinho, Geco, LN Moldes, Moldes RP, Moldit, Moldoplástico, Moldworld, Moliporex, Ribermold, SET, Socem, Tecmolde e Topo, visitou 20 empresas iranianas injectoras de plástico, que fabricam peças essencialmente para os sectores automóvel e da embalagem.

No final, notou Telmo Fernandes, os visitantes constataram “haver oportunidades de negócio concretas a explorar”, porque a indústria portuguesa “encontra-se bem posicionada para responder e apresentar soluções às necessidades iranianas, nomeadamente na procura de maior eficiência produtiva local”.

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Os construtores automóveis Iran Khodro (na foto) e Saipa são os dois maiores grupos desta indústria que é a segunda maior da República Islâmica
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De particular interesse para os empresários portugueses serão os contactos estabelecidos com as sub-holdings responsáveis pelos fornecimentos e selecção de fornecedores do Iran Khodro e do Saipa.

Estes dois grupos são os maiores construtores automóveis do Irão. Juntos fabricaram, em 2008, cerca de um milhão de viaturas – uma subida de 10% face ao ano anterior. Esta indústria é a segunda maior do país, depois do petróleo e seus derivados, com um crescimento da ordem dos 25%.

Na competição com as empresas asiáticas de moldes, que, com baixos preços, também têm vindo a abordar o Irão, Manuel Oliveira, da Cefamol, destaca “o valor acrescentado da oferta portuguesa, a experiência no sector automóvel, a qualidade e a competitividade na relação custo/benefício”. Realçou o time-to-market e a capacidade de engenharia e produção nacional.

“O apoio à concepção e desenvolvimento de novos produtos e a capacidade de oferecer ciclos de produção mais rápidos, com maior quantidade de peças num menor espaço de tempo, permite diferenciar a nossa oferta da concorrência, sendo diferente o preço medido na compra com o preço medido pela produção originada”, explicou.

Não obstante os riscos que o Irão envolve – o regime permanece sob a ameaça de mais sanções internacionais que afugentam investidores estrangeiros -, a Market Access considera que este mercado pode “incrementar significativamente” o valor “até agora residual” das trocas comerciais com Portugal, em sectores tão diversos como os moldes, construção, petroquímica, mobiliário, utilidades domésticas, produtos alimentares e outros.

O atractivo da antiga Pérsia? É um país de 70 milhões de habitantes, com estimativas de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,9% em 2010, de 3,5 em 2011 e de 4,1 em 2012.

Para a Indústria Portuguesa de Moldes – 535 empresas com 8350 trabalhadores, concentradas nas regiões da Marinha Grande e Oliveira de Azeméis -, o Irão oferece a possibilidade de aumentar ainda mais as exportações, que, em 2008, atingiram 343 milhões de euros, ou seja, cerca de 90% do valor total da produção (377 milhões).

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Este artigo, agora revisto, foi publicado originalmente no jornal PÚBLICO em 19 de Setembro de 2009 | This article, now revised, was originally published in the Portuguese newspaper PÚBLICO, on September 19, 2009 

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