Os Most Hated não se odeiam

No rap deles há identidade e religião. Há racismo e terrorismo. Há clichés e estereótipos. Há sentido de humor e amor. E não há medo de ofender. Em Nova Iorque, o israelita judeu Sneakas e o iraniano muçulmano Mazzi formaram o grupo Most Heated [entretanto dissolvido], para provar que é possível discordar e coexistir. Why, why, oh why do our people die? (Ler mais | Read more…)

 

Sneakas e Mazzi descrevem-se a si próprios como “dois MC incrivelmente talentosos e extremamente diferentes”. Formaram o duo Most Hated em 2007, em Nova Iorque, e o êxito foi confirmado no YouTube, em vídeos insolentes e divertidos, Shalom Salaam, Tug of War e History (Re) Right, onde há um soldado e um bombista, onde há Ciro e Mein Kampf, onde há Humus & Hamas, onde há Jews & jewelry.

Descobrimo-los num blogue e estabelecemos contacto. O que os distingue de outros grupos? “O facto de num microfone estar um israelita judeu e, no outro, um persa muçulmano”.

Sneakas (Yoni Ben-Yehuda) começou a chamar a atenção quando participou no platinado The Light and the Shadow, do israelita Subliminal (Ya’akov ‘Kobi’ Shimoni), um dos criadores do chamado “hip-hop sionista”. Curiosa a sua associação com este rapper, filho de uma judia do Irão e de um judeu da Tunísia, cujas canções patrióticas, sobretudo a partir da segunda Intifada de 2000, reflectem a perseguição dos seus pais nos países de origem, elogiam o serviço militar e condenam o consumo de drogas. Em 2008, cinco anos depois de uma tour pelo Médio Oriente, Sneakas estreou-se com excelentes críticas no mercado norte-americano, em In It for a Change, com a colaboração de Kool G. Rap, Rass Kas, Wordsworth e outros.

Mazzi já tinha o rap no corpo desde 1995. Fez espectáculos com Eminem, G-Unit, Black Eyed Peas, Common, D12, Talib Kweli, Mos Def, C-N-N, RUN DMC, Big Pun, Slick Rick, Dead Prez, Keith Murray, Kool G. Rap, e Nice & Smooth.

A “essência” de Most Hated foi assim resumida por Sneakas: “Muitos grupos formam-se porque os membros estão de acordo no início e depois acabam porque não se entendem à medida que o tempo passa. Mazzi e eu discordamos desde o princípio e esperamos que, à medida que o tempo passa, aprendamos a concordar um com o outro. É por isso que fazemos música.”

O que se segue é o resultado de uma troca de e-mails que durou várias semanas devido à agenda preenchida dos dois artistas. Com um Sneakas extrovertido e um Mazzi reservado (nenhum quis revelar a idade actual), aqui se fala de Israel, do Irão e de rap. Eles pedem que os vejam na sua página do Myspace.

Mais do que ganhar dinheiro, os Most Hated querem deixar de ser “os mais odiados”.  Aqui, a paz do judeu diz-se salaam e salami; a do muçulmano, shalom e shalomo.

Sneakas (Yoni Ben-Yehuda, judeu israelita). @DR (Direitos Reservados| All Rights Reserved)

Sneakas (Yoni Ben-Yehuda, judeu israelita)
© Direitos Reservados| All Rights Reserved

Sneakas, o que é que Israel representa para si?

Nasci em Hadera [no Noroeste de Israel] e mudei-me para os EUA quando tinha quatro anos. Andei entre os EUA e Israel toda a minha vida, mas tenho passado a maior parte do tempo em Nova Iorque. Telavive e NYC são a minha casa.

A maior parte da minha família vive em Israel, e eu tento visitar Israel três meses por ano. Israel, para mim, não é apenas um lar, mas o lugar que fez nascer grande parte da minha identidade e das minhas ideias como homem e artista. Adoro Israel e, embora às vezes sinta que não é [um país] perfeito, é a minha casa e o meu amor por ele é incondicional.

Não sirvo no Exército. Não sou obrigado a isso porque deixei Israel na infância. Apesar das minhas longas conversas com a minha família sobre este assunto, chegámos à conclusão que seria melhor, para mim, eu frequentar uma universidade [nos EUA] do que regressar a Israel para cumprir o serviço militar. Não gosto de falar sobre a vida no exército porque sei muito pouco sobre isso.

Apoio os meus soldados israelitas e sei que às vezes eles têm de tomar decisões muito difíceis para proteger Israel. Não olho para esta a questão a preto e branco – aquilo lá é muito complicado.

I said shalom my name is sneakas this is something new/
Cuz you can’t spell Jewelry without Jew

Mazzi, qual é o seu verdadeiro nome? Por que é se define como persa e não como iraniano?

O meu nome oficial é Mazzi. A maneira politicamente correcta de me apresentar é: “Sou um persa do Irão (porque há persas no Afeganistão e na Arménia) e falo farsi”. Nasci em Kermanshah [no Oeste, fronteira com o Iraque]. Vim para os EUA aos dois anos.

Vivo em Nova Iorque, mas sou nativo de Jersey City (New Jersey), onde passei a maior parte da vida. Faço promoções da Def Jam Records para rádios e clubes; sou co-apresentador de dois shows de rádio. Produzo vídeos virais [videoclips para partilha na Internet] e sou um artista.

O meu pai, a minha mãe, o meu irmão, a minha irmã, o meu primo e o meu tio vivem nos “States”. O resto da minha família (95 por cento) vive no Irão. A última vez que estive no Irão foi em 2005.

I said salaam cop those colossal sized falafels/
Whole sale (…) bean pies I got those/
Shalom 

E Sneakas, quando olha para o governo israelita, com um ministro dos Negócios Estrangeiros (Avigdor Lieberman) que exige à minoria árabe um juramento de lealdade ao Estado, o que vê?

O governo israelita é o que as pessoas elegeram e é o que têm. É difícil ter um governo que não separa sinagoga e estado. Quanto à questão do juramento de lealdade, consigo perceber isso, porque a população árabe multiplica-se muito mais rapidamente do que a judaica e, num futuro não muito distante, os judeus poderão ser uma minoria em Israel.

Isso é assustador. Não digo que concordo ou discordo. Digo apenas que compreendo. Israel e o seu governo têm a obrigação de proteger o seu povo dos muitos e crescentes perigos que nos rodeiam. Estamos sempre sob ataque, de uma forma ou de outra, por isso penso que temos o dever de defender Israel das ameaças externas e internas.

You think that I’m cheap then you’re foolish/
I’m not even religious I’m Jew…ish/
Salaam

Quando olha para o Irão, o que é que Mazzi vê? E o que é que vê quando olha para Israel? Será que viver na América mudou a percepção do país onde nasceu e do “inimigo”?

Bem, o “inimigo” é o governo corrupto. Seja no Irão, nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar. Quando olho para o Irão, vejo um incrível potencial mas oportunidade mínima. Quando olho para Israel, vejo luta, racismo, limpeza étnica, violações dos direitos humanos, caos, beleza, espiritualidade, crianças inocentes, história & riqueza tudo num só… Bastante louco!

I ask who’s sane not Sadam/
Based on where I’m from and what I do I be the bomb/
Shalom

Na sua opinião, Sneakas, quem tem o direito de exigir a Israel que cumpra a promessa de ser “uma luz entre as nações”? E como fazer isso sem ser usado por genuínos ou dissimulados anti-semitas?

Não é apenas o nosso direito mas também nosso dever desafiar Israel e o seu governo e as suas políticas e o povo e o exército e tudo o resto. Estamos longe de ser um país perfeito, mas com todos os nossos defeitos ainda somos um lugar extraordinário.

Como cidadãos, devemos desafiar sempre o nosso governo e as más acções de Israel. Criticar e questionar é um dos aspectos mais importantes do judaísmo, e acredito que ao expormos os nossos problemas podemos criar uma verdadeira mudança. Somos uma luz entre as nações porque somos a única democracia activa no Médio Oriente.

Quando os nossos inimigos tentam e nos matam, nós não só nos defendemos mas também procuramos soluções pacíficas para os nossos conflitos. Para mim, são idiotas as pessoas que só vêem Israel a oprimir os palestinianos ou como um mal.

É verdade que a situação por lá é feia e complexa, mas ninguém é culpado e ninguém é inocente. Somos todos responsáveis, e espero que um grupo como Most Hated consiga mostrar que, embora discordemos sobre muita coisa, podemos fazer isto sem nos matarmos um ao outro, e sem ódio. Isso é especial, para mim.

O meu irmão [Roi Ben-Yehuda, autor do blogue roiword] está sempre a dizer que “Israel é o único sítio onde um judeu porco é um judeu que não tomou banho”, e acho que é muito profunda esta afirmação. Israel é o único lugar onde os judeus podem, genuinamente, viver em paz, ou pelo menos em harmonia. Paz… bem, nós ainda estamos a trabalhar nisso.

I pay 25 but charge you 50/
That’s how I do welcome to Jew York City/
Salaam 

Mazzi Soul Purpose (Muçulmano iraniano). @DR (Direitos Reservados| All Rights Reserved)

Mazzi Soul Purpose (muçulmano iraniano) – foto na Palestina, com a imagem de Marwan Barghouti, líder da Intifada
@DR (Direitos Reservados| All Rights Reserved)

Em Tug of War, Mazzi representa o papel de um palestiniano, um muçulmano, um bombista suicida. Porquê?

Para mostrar que muita coisa acontece até chegar a esse nível. O processo de pensamento, a disputa, o conflito interno, etc. Eu tentei pintar um retrato… mostrar que não somos todos “selvagens” da maneira como os media nos apresentam.

New Jerusalem natural habitat/
The way we be dressing you’d think we traveled here on camel backs/
Shalom 

Como é que Sneakas conheceu Mazzi e como nasceu o projecto Most Hated?

Eu conheci Mazzi através de Waleed Coyote, um incrível DJ e agora um bom amigo. Mazzi, Waleed e MC Serch [do grupo 3rd Bass e apresentador de programa televisivo da VH1’s White Rapper Show] estavam a trabalhar num álbum chamado Middle East Project.

Contactei Waleed porque queria participar. Waleed disse-me para me encontrar com Mazzi e, se houvesse vibe entre nós, podíamos fazer uma canção para o projecto. Quando eu e Mazzi nos encontrámos, houve vibe e num só dia compusemos quatro canções.

Mais tarde juntámo-nos e gravámos para este extraordinário projecto e tocámos para algumas pessoas. Todos nos aconselhavam a formarmos um grupo e nós… sure. Mazzi e eu vibramos muito bem juntos. Discutimos, conversamos, discordamos e fazemos música excelente. Acho que damos o melhor de nós na música, e é tão engraçado quando tudo “clicka” desse modo.

Don’t bother us on Ramadan or Hanukah/
I go off the head like a bald guys Yamika/
Salaam 

O que é que a religião representa para si, Mazzi? Será que o Ocidente e Israel são os únicos responsáveis pelo sofrimento dos muçulmanos ou o facto de os muçulmanos quase sempre se apresentarem em posição de vítima ou de atacante também contribui para a sua fraqueza?

Sou um muçulmano devoto. O Islão só é chamado de “religião” para ser tema de conversa. Na realidade, o Islão é uma forma de vida, é submissão a Deus. Os muçulmanos são vítimas. Sem dúvida… e quando alguém é vitimizado durante tanto tempo, ele ou ela tendem a ripostar. Alguns reagem com extremismo, outros usam métodos mais inteligentes de retaliação…

Or a Kooife loosely on a soofi/
Some of our women look like they’re ninjas in a movie/
Shalom 

Por que chamaram ao grupo “Most Hated”? O objectivo é passar uma mensagem política?

SNEAKAS: Sim, creio que também é política. Imaginámos que um judeu e um muçulmano, onde quer que estejam, serão os mais odiados. Foi assim que nos lembrámos do nome. MC Serch deu-nos o conceito para o logótipo, e tudo pareceu encaixar. Uma grande parte deste grupo e do seu projecto está a tomar forma organicamente. Não forçamos nada. É claro que o nosso trabalho é árduo e estamos constantemente a fazer qualquer coisa, mas as ideias saem com naturalidade, e, quando se começa um trabalho assim, tudo funciona. É a melhor maneira de criar, tanto quanto sei, e este grupo é seguramente a prova disso.

We not that different yo I got this/
You follow the prophet and I follow the profit/
Salaam 

MAZZI: A resposta é simples: judeus e muçulmanos são os mais odiados, de todas as formas e feitios, em todo o mundo. A nossa mensagem é politicamente intrigante, a maior parte das vezes. A mensagem é a de uma realidade sem cortes.

Order Fish and gifelta/
Randomly searching me from continental to delta/
Shalom 

Como é a vossa rotina de trabalho?

SNEAKAS: Somos ambos muito ocupados e viajamos muito, mas vemo-nos várias vezes por semana quando trabalhamos. E falamos quase todos os dias. Um de nós apresentará uma ideia para uma canção e dirá ao outro. Se o outro não gostar, não se faz. Se gostarmos começamos logo a testá-la e ver se dá uma canção. É muito orgânico e divertido. Vivemos na mesma cidade, por isso é fácil trabalharmos juntos.

Me too but we come from different mamas/
I tell’em I want humus and all I hear is Hamas/
Salaam 

MAZZI: Vemo-nos a maior parte do tempo e trabalhamos em canções. Se não conseguirmos, escolhemos uma batida, um tópico e lançamo-nos na escrita.

We’ve seen more blood shed the Maxi Pads/
My uncle works at 7-11 and drives a taxi cab/
Shalom

Poster da colecção Israel loves Iran, uma iniciativa de dois designers gráficos israelitas, lançada em 2012, contra alegados planos de guerra

Um dos posters da campanha Israel loves Iran, iniciativa de dois designers gráficos israelitas lançada em 2012, contra alegados planos de guerra

Como definem a vossa relação?

SNEAKAS: Somos muito bons amigos… não é verdade Maz? LOL. Isto é, ambos gostamos e jogamos basquetebol, adoramos hip-hop e mulheres. Concordamos e discutimos sobre muitas coisas. Somos divertidos, porque estamos sempre a fazer palhaçadas e a troçar um do outro. Posso dizer com toda a certeza que eu sou o mais cool do grupo e que Mazzi é mais o Robin do meu Batman, mas ele pode não concordar com isto.

Tell him to pick me up bring a slerrpy good looking/
We fiddle on the roof tops of crown heights in Brooklyn/
Salami 

MAZZI: A nossa relação mútua é genuína. Se eu não o sentisse como pessoa não teríamos feito uma única canção. Há respeito mútuo, isso é uma certeza.

He might be busy though getting live/
All up in his Harem trizzing with many wives/
Shalom

Como começaram a carreira na música e por que escolheram o hip-hop? Ganhar dinheiro influenciou a escolha? 

MAZZI: O hip-hop NÃO é lucrativo! Se o dinheiro fosse uma grande componente, há anos que eu teria desistido. Eu comecei por dançar (popping, breaking e freestyle hip-hop dance…). Posteriormente, toquei percussão durante sete anos.

Venho de um ambiente musical. O meu pai toca guitarra e os meus tios todos tocavam instrumentos. A rima veio depois. Faço rimas desde os meus 13 anos, e comecei a levar isto muito a sério desde os 18. O hip-hop escolheu-me.Venho de um meio familiar pobre e de uma área urbana, por isso, durante a minha juventude, o hip-hop estava naturalmente próximo de mim.

Fui suficientemente feliz ao trabalhar na indústria musical e poder fazer a minha própria música. Sou uma espécie de híbrido. Consigo ver os dois lados da vedação e sinto a beleza anímica da música ao mesmo tempo que vejo a indecorosa falta de alma da indústria, que conduz os negócios das coisas. É uma matriz profunda. Muito deprimente às vezes.

Tento manter-me motivado. Fiz um Lyricist Lounge Show com Eminem há 10 anos. E isso, em conjunto com os espectáculos ao vivo que tenho feito com grandes nomes, tem aumentado a minha força e identidade como artista.

Sou uma força que deve ser considerada neste palco. E agora, com a cooperação de Sneakas, podemos levar um espectáculo ao vivo para um outro patamar…

SNEAKAS: Tenho um mestrado em História Europeia e Literatura Americana, na New School for Social Research, e agora estou a fazer um mestrado no Actors Studio. Estudo representação e passo um tempo maravilhoso com um talento incrível à minha volta.

A música tem sido parte da minha vida desde há muito tempo. Quando estava no quinto ano, comecei a tocar baixo, bateria e todo o tipo de instrumentos. Descobri o rap quando me mudei para Nova Iorque no final do sexto ano. Apaixonei-me pelo rap a primeira vez que ouvi.

Sabia que esta arte ia mudar a minha vida. É música do povo, e eu sabia que queria fazer parte desta música e chegar a pessoas como eu, mas também a outras que são diferentes de mim. Ganhar dinheiro com o rap é muito difícil sobretudo quando tentamos fazer música com sentido e não apenas hip-hop para vender discos.

Começamos a ver os frutos do nosso trabalho com este projecto e creio que há a possibilidade de se tornar algo especial. È nos espectáculos que um artista de rap pode ganhar algum dinheiro, pelo menos antes de vendermos um milhão de discos.

Preocupo-me menos com isso do que com as mudanças que podem ocorrer, ao criarmos um discurso e um diálogo positivos. Quem sabe se poderemos ajudar no processo de encontrar a paz entre duas religiões e dois povos que são tão semelhantes e partilham tantos valores e ideias? Talvez seja possível.

Mel Gibson dissin Jews wasn’t good/
Cuz we don’t start wars but we Run Hollywood/
Salaam 

Ronny Edry e Michal Tamir, designers gráficos israelitas e activistas pelas paz israelitas, que lançaram a campanha Israel loves Iran

Ronny Edry e Michal Tamir, designers gráficos israelitas e activistas pelas paz israelitas, que lançaram a campanha Israel loves Iran

Qual tem sido o impacto do vosso trabalho até agora – em Israel e no mundo muçulmano?

MAZZI: Tem sido bom até agora, considerando que a promoção é pouca ou nenhuma. Estamos a acelerar para uma divulgação oficial. Esperemos que o impacto seja maior quando este projecto arrancar. As pessoas que o ouviram até agora têm ficado comovidas, para dizer o mínimo…

SNEAKAS: Para ser sincero, começámos agora a apresentar o nosso trabalho ao mundo. Por isso ainda não sei. Sei que muitos radicais de ambos os lados vão odiar isto e querem-nos mortos. E sei que muitos não entenderão o que estamos a fazer e vão chamar-nos vendidos. Mas a verdade é que eu quero desafiar essas pessoas e as suas ideias.

Eu toco este material para o meu povo em Israel e eles parecem gostar mesmo, por isso vamos ver… Penso que o impacto deste projecto pode ser radical, e é por isso que todos os envolvidos estão muito entusiasmados com ele. Porque temos uma oportunidade de transcender o hip-hop e a música, e até a arte, e criar uma mudança social e ter impacto no ambiente em que vivemos.

Menos do que isso será um fracasso, do meu ponto de vista. Toda a razão para fazermos música é deixarmos este planeta melhor do que o encontrámos. Se o número suficiente de pessoas ouvir este projecto e aderir a ele, vamos conseguir que isso aconteça.

If you listen to the flow that we bring/
You’ll see salaam and shalom mean the same thing/

Se Israel atacar o Irão, será que o vosso projecto e amizade serão afectados?

MAZZI: O que se passa além-mar só acrescenta combustível ao nosso fogo musical. O respeito que temos um pelo outro é a chave.

SNEAKAS: Espero que isso não aconteça por muitas razões, e a menos importante é o nosso grupo. O importante neste projecto é desafiar-nos a nós próprios e às nossas convicções, e às convicções de outros como nós. Será nosso dever fazer música sobre isso e tentar ajudar as pessoas dos dois lados. Digo isto muitas vezes e acredito nisto profundamente.

Ambos os campos [Israel e o Irão] estão certos umas vezes e errados outras. Quanto mais cedo as pessoas perceberem isso, melhor será para criar um diálogo de paz. Dito isto, rezemos ao nosso Deus e esperemos que isso [um ataque] nunca aconteça.

Peace!
(in “Shalom, Salaam”) 

Sneakas e Mazzi seguiram, entretanto, projectos individuais. Em 2010, na sua página de Facebook, o iraniano explicou por que se tornou mais activista em defesa dos palestinianos, “contra os sionistas”, embora não exclua parcerias com outros amigos como Yoni Ben-Yehuda, que continua a cantar mas também é agora actor. A amizade com o amigo judeu israelita- americano não esmoreceu: “Não há animosidade entre nós. Ele é criativo e determinado. Desejo que tenha muita sorte”.

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Este artigo, agora actualizado, foi publicado originalmente no jornal PÚBLICO em 14 de Agosto de 2009 | This article, now updated, was originally published in the newspaper PÚBLICO, on August 14, 2009

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