Esqueçam o harém e as mouras subjugadas

Sheika Mozah, do Qatar, e a princesa Haya, do Dubai, são as “segundas mulheres” dos emires mas também poderosas primeiras-damas do mundo árabe. Estes exemplos de independência têm efeito de dominó. (Ler mais | Read more..)

Os vários estilos da Sheika Mozah Bin Nasser Al-Missned, primeira-dama do Qatar, socióloga de profissão, mãe de sete dos 28 filhos do emir, Xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, e a segunda das suas três mulheres © Direitos Reservados | All Rights Reserved

Os vários estilos da Sheika Mozah Bin Nasser Al-Missned, primeira-dama do Qatar, socióloga de profissão, mãe de sete dos 28 filhos do emir, Xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, e a segunda das suas três mulheres
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Ela veste Chanel, Dior ou Gaultier. Torna opacas as transparências, desce as mini-saias e sobe os decotes adaptando a haute couture ao recatado “estilo islâmico”. Oculta o cabelo com uma fina écharpe e, mais frequentemente, com um turbante justo, mas jamais esconde o rosto ostensivamente maquilhado.

Ela é doutora honoris causa por cinco universidades estrangeiras – algumas delas, como Georgetown, presentes na sua pioneira City of Education. Ganhou o prestigiado Chatham House Award de Londres, é enviada especial da UNESCO e integra o Grupo de Alto Nível da Aliança das Civilizações da ONU.

O jornal The Times classificou-a como “uma das 25 líderes empresariais mais influentes do Médio Oriente” e a revista Forbes incluiu-a na lista das “100 mulheres mais poderosas do mundo”.

Ela é Sheika Mozah Bin Nasser Al-Missned, primeira-dama do Qatar, socióloga de profissão, mãe de sete dos 28 filhos do emir, xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, e a segunda das suas três mulheres. O anafado fundador da estação de televisão Al-Jazira deixou-se cativar pela beleza desta plebeia com cintura de vespa e deu-lhe a visibilidade que negou às duas primas com quem se casou, uma antes e outra depois, alegadamente, por “interesse político”.

Num país rico em petróleo e gás natural, com o quarto maior PIB per capita mundial (63 mil dólares/ano) e aspirações a desafiar a hegemonia regional da vizinha Arábia Saudita, o actual emir sabe que tem de zelar pelos seus interesses.

Foi por isso que, em 1995, derrubou o pai, Khalifa bin Hamad al-Thani (que, por sua vez, também retirara o primo do trono, em 1972), quando ele passava férias na Suíça.

Os cerca de 900 mil habitantes do Estado que até aos anos 1940 tinha como únicos recursos peixes e pérolas já estavam habituados aos golpes palacianos e aos ímpetos modernistas do seu emir. No entanto, ainda se espantaram quando em 2003, numa entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, o xeque apareceu com a sheika ao seu lado.

Ela já tinha sido, em 1995, a impulsionadora da Qatar Foundation for Education, Science and Community Development, mas, em 2003, com a inauguração da City of Education, catalogada como “universidade do futuro”, o emir quis dar-lhe ainda mais proeminência. E ela não desperdiçou a oportunidade.

O Xeque Hamad bin Khalifa Al-Thani, Emir do Qatar e a Sheikha Mozah bint Nasser Al Missned © Direitos Reservados | All Rights Reserved

Xeque Hamad bin Khalifa Al-Thani, emir do Qatar, e  Sheikha Mozah bint Nasser Al Missned
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Quase todos os meses, podemos vê-la sentada no meio de uma plateia de estudantes que assistem aos Doha Debates. Frequentam as cinco universidades da City of Education (Virginia Commonwealth University School of Arts, Weill Cornell Medical College, Texas A&M University, Carnegie Mellon University, Georgetown University, Northwestern University) e vêm de países como o Afeganistão, o Iraque, o Sudão, mas também os Estados Unidos.

Moderados pelo veterano jornalista britânico Tim Sebastian e transmitidos pela BBC (onde antes ele apresentava o programa de entrevistas HARDtalk), os Doha Debates abrangem questões árabes e muçulmanas e são vistos por cerca de 300 milhões de telespectadores em cerca de 200 países (incluindo Portugal). Há sempre duas moções defendidas por campos opostos e, no final, uma votação.

Num dos últimos programas, embora os 350 participantes se mostrassem ambivalentes sobre se o Médio Oriente ficaria melhor com o democrata Barack Obama ou o republicano John McCain na Casa Branca, o primeiro venceu com 87% – a maior margem de votos jamais observada desde que a iniciativa foi lançada há cinco anos.

Se este triunfo era esperado, outras votações são mais surpreendentes. Em duas delas, os participantes aprovaram as seguintes moções: “Os muçulmanos estão a falhar no combate ao extremismo” e “Os palestinianos arriscam-se a tornar-se no seu pior inimigo”.

A própria sheika tem sido muito crítica nos seus discursos públicos. Em 2006, por exemplo, declarou: “Nós, como muçulmanos, não temos feito o suficiente para demonstrar o verdadeiro espírito da nossa religião, que se baseia no respeito mútuo e na justiça social.”

Mais: “Não podemos culpar o Islão pelo défice de democracia e liberdade no mundo árabe. A culpa é dos governantes da região.” E sobre a condição feminina: “Os responsáveis são regimes opressivos, que negam os direitos a todos os cidadãos, e tradições antiquadas que colocam obstáculos ao progresso das mulheres como membros plenos e iguais da sociedade.”

Educada na Inglaterra (Badmington School for Girls em Bristol, Bryanston School em Dorset, St. Hilda's College e Universidade de Oxford - onde se licenciou em Política, Filosofia e Economia), Haya foi a primeira mulher na Jordânia a ter licença para conduzir veículos pesados e camiões articulados. © Direitos Reservados | All Rights Reserved

Educada em Inglaterra (Badmington School for Girls em Bristol, Bryanston School em Dorset, St. Hilda’s College e Universidade de Oxford – onde se licenciou em Política, Filosofia e Economia), Haya foi a primeira mulher na Jordânia a ter licença para conduzir veículos pesados e camiões articulados
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À semelhança da primeira-dama do Qatar, também a do Dubai marca a diferença nas cortes árabes do Golfo Pérsico onde, até recentemente, as mulheres de monarcas e emires eram confinadas aos haréns. “Sua Alteza Real Princesa” Haya bint Al Hussein um título mais importante que o do próprio marido, que é apenas “Sua Alteza Xeque” Mohammed Rashid al-Maktoum – embora ele detenha os cargos de vice-presidente, primeiro-ministro e ministro da Defesa dos Emirados Árabes Unidos (além de emir do Dubai).

Filha da terceira mulher (a palestiniana Alia Toukan) do Rei Hussein da Jordânia (1935-1999), Haya é também a segunda mulher do xeque Makhtoum. Casou-se em 2004, aos 30 anos, numa cerimónia privada num palácio de Amã. Em 2007, deu à luz uma menina que recebeu o nome de Ali Jalila, e será sheika mas não princesa. O emir já tinha 18 filhos.

Educada em Inglaterra (Badmington School for Girls em Bristol, Bryanston School em Dorset, St. Hilda’s College e Universidade de Oxford – onde se licenciou em Política, Filosofia e Economia), Haya foi a primeira mulher na Jordânia a ter licença para conduzir veículos pesados e camiões articulados.

“O meu pai deu-me a alcunha de ‘camionista’ e eu adoro frequentar cafés de camionistas, falar com eles”, revelou à revista Hello! “Acho que seria infeliz sem uma carreira. Tenho demasiada energia e aborreço-me facilmente. O meu marido enlouqueceria se eu não saísse de casa.”

Nunca tapando a sua longa cabeleira longa (prefere tiaras de diamantes ao véu), Haya mantém-se uma exímia cavaleira. Participou nos Jogos Olímpicos de Verão da Austrália em 2000 e preside à Federação Internacional Equestre (o mandato expirou em 2010).

Se os cavalos ocupam uma parte do seu tempo, ela não descuida também as actividades sociais. Já tinha fundado a primeira ONG árabe dedicada ao combate à pobreza, a Tikyet Um Ali, na Jordânia. Agora preside à Dubai International Humanitarian City – um projecto financiado pelo modernizador e multimilionário xeque Makhtoum.

O emir do Dubai e a sia segunda mulher - já tinha 18 filhos quando se casou com ela. Nesta imagem ambos assistem às famosas corridas de cavalos em Ascot (Reino Unido). Ela, que tem um título superior ao do marido - "Sua Alteza Real" - foi presidente da Federação Internacional Equestre. © Direitos Reservados | All Rights Reserved

O emir do Dubai e a segunda mulher – ele já tinha 18 filhos quando se casaram. Nesta imagem ambos assistem às famosas corridas de cavalos em Ascot (Reino Unido). Ela, que tem um título superior ao do marido – “Sua Alteza Real” – foi presidente da Federação Internacional Equestre
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Em Julho de 2007, reconhecendo o seu contributo para ajudar os mais desfavorecidos, o secretário-geral da ONU Ban-Ki moon nomeou Haya Embaixadora da Boa Vontade para o Programa Alimentar Mundial – a primeira mulher e a primeira árabe escolhida para este posto.

O exemplo da “princesa consorte” exerceu um efeito de dominó nos Emirados Árabes Unidos (EAU), que tem várias mulheres no Governo – entre elas, Sheika Lubna Al Qasimi, ministra da Economia, também incluída pela revista Forbes na lista das “100 mulheres mais poderosas do mundo” – e nomeou recentemente a primeira juíza.

As mulheres representam agora 22,4% da força activa dos EAU e 32% no Qatar, segundo estatísticas governamentais. Cerca de 77% dos estudantes universitários nos EAU são mulheres (dados do Ministério da Educação nacional) e três quartos dos alunos que se licenciaram este ano na Universidade do Qatar foram raparigas.

A investigadora em assuntos islâmicos Faranaz Keshavjee explica o que podem mulheres como Mozah e Haya representar dentro e fora do Médio Oriente. “Como em todas as outras sociedades, não podemos procurar uma resposta comum em todas as culturas muçulmanas”, disse-me, em entrevista por e-mail.

“No mundo muçulmano encontramos culturas mais conservadoras, outras mais progressistas. Haverá com certeza diferentes perspectivas sobre mulheres como estas. Sei que há um fenómeno muito comum entre as sociedades muçulmanas que são interpretações da fé à luz de uma cultura patriarcal, parecida de resto com a portuguesa, onde é muito raro surgirem mulheres com poder, na liderança de grandes projectos, tomando decisões muito importantes.”

“Assim, para os não muçulmanos, que normalmente ainda alimentam um conjunto de representações exóticas sobre a mulher muçulmana, inspiradas em lendas e histórias das ‘mil e uma noites’ ou das ‘mouras encantadas’, e que permanecem no desconhecimento e na ignorância intencionada sobre este outro mundo dos muçulmanos, e que, ainda por cima, têm dificuldade, na sua própria sociedade, em aceitar que as mulheres cheguem por mérito próprio a cargos de poder e de chefia, deve parecer sempre que são coisas fantásticas, extraordinárias, impensáveis, sobretudo se praticam essa fé entendida como pré-civilizacional que é o Islão.”

“No caso do Ocidente cristianizado, as mulheres também chegam dificilmente a lugares de poder e de chefia. E quando isso acontece, estamos sempre à procura de as categorizar de forma diferente, como se à mulher, em geral, não coubesse o desempenho de tais funções, pela sua natureza biológica. Encontramos sempre alguma designação particular para as colocar num patamar diferente de ser mulher: elas são damas de ferro, ou outra coisa qualquer, mas não pessoas com mérito apenas.”

 A filha do imã dos Ismailis,a princesa Zahra Aga Khan (ambos na foto), servissem como modelos sociais de referência para a mulher em geral, e para a mulher muçulmana em particular", diz... ©Niall Carson/PA Archive/Press Association Images.

“A filha do imã dos Ismailis, princesa Zahra Aga Khan [ambos na foto], é um modelo social de referência para a mulher em geral, e para a mulher muçulmana em particular”, diz Faranaz Keshavjee
©Niall Carson | PA Archive | Press Association Images

Quanto aos muçulmanos, adianta Faranaz Keshavjee, “que também partilham, na sua grande maioria, de ideologias patriarcais, e masculinizadas, e que desconhecem profundamente as histórias das mulheres no mundo muçulmano e a importância que tiveram no desenvolvimento das suas comunidades, poderão ficar igualmente surpresos. É a cultura global da masculinidade; não é exclusiva do pensamento dos muçulmanos.”

“O poder nas mãos das mulheres é, geralmente, algo que, antropologicamente falando, sempre criou muitos medos aos homens. As religiões, sobretudo as abraâmicas, foram sendo progressivamente apropriadas em culturas patriarcais e os seus intérpretes conseguiram transformar a leitura das mesmas de forma a justificar uma ordem de género e de funções sociais de género que perpetua a inferioridade das mulheres e da sua condição social.”

Podem as primeiras-damas do Golfo Pérsico ajudar a quebrar preconceitos e estereótipos? Responde Faranaz Keshavjee: “Gostaria que mulheres como estas, onde incluo a filha do imã dos Ismailis – a princesa Zahra Aga Khan -, servissem como modelos sociais de referência para a mulher em geral, e para a mulher muçulmana em particular. Falta no entanto o empowerment, e esse passa pelo acesso à educação.”

“A princesa Zahra, que recentemente esteve em Harvard, onde se graduou em estudos sobre o desenvolvimento para depois servir a Rede para o Desenvolvimento Aga Khan como Head of Social Welfare Department, diria que essa educação tem de servir dois princípios cruciais: deve ser relevante e de inegável qualidade internacionalmente reconhecida. Penso que a sheika do Qatar pretende fazer isso mesmo cooperando com universidades de acreditação internacional.”

Contudo, avisa Faranaz Keshavjee, “para não se repetir no mundo dos muçulmanos o que já é prática comum no mundo ocidental cristão, onde as mulheres estudam imenso mas não atingem efectivamente cargos de chefia, é preciso trabalhar as estruturas de pensamento social.”

“É preciso educar desde muito cedo para a integração e a construção social a partir da diferença; e começar pela construção social integrada e pluralista a partir da diferença sexual é um passo muito importante para o desenvolvimento das civilizações modernas. E, neste domínio, muçulmanos e não muçulmanos têm ainda um longo caminho a percorrer”.

Poderiam as primeiras-damas árabes do Golfo fazer mais? Faranaz Keshavjee reconhece que “há sempre muito mais a fazer”. No entanto, acrescenta, “‘ser mulher de…’ deixa pouco espaço para a liberdade e a criatividade. Precisávamos de as reconhecer como mulheres com identidade própria e reconhecer-lhes o mérito por serem as pessoas que são e não por serem ‘filhas de …’, ou ‘mulheres de…’ Aí os media ainda alimentam estes pensamentos fantasiosos e infantis das princesas, ou de outras mulheres que só ganham relevo na História porque eram as ‘mulheres de…’. Este tipo de pensamento lendário também está presente nos manuais escolares de História dos nossos filhos. Como podemos esperar que eles pensem de forma diferente?!”

Rania, a palestiniana que se tornou rainha ao casar com Abdullah II da Jordânia: muitos descrevem-na como "a jóia da coroa" do Reino Hashemita. © Direitos Reservados | All Rights Reserved

Rania, a palestiniana que se tornou rainha ao casar com Abdullah II da Jordânia: muitos descrevem-na como “a jóia da coroa” do Reino Hashemita
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Que impacto podem ter, a curto, médio e longo prazo, actividades mais centradas na educação (o caso da sheika do Qatar e da princesa do Dubai) do que em projectos de caridade (em que têm apostado figuras como a rainha Rania da Jordânia)?

“O conceito de caridade no Islão traz um entendimento diferente daquele que me parece ser o da Cristandade”, explica Faranaz Keshavjee. “Na verdade, a ética do Islão é também uma ética de compaixão, de generosidade e de responsabilidade social para a dignificação da condição humana. A tradição do Islão é precisamente a de contribuir para melhorar a condição da vida humana. Dar por dar, só para ajudar durante um tempo limitado, não corresponde ao modelo de caridade islâmico.”

“A ideia é, na realidade, conferir os instrumentos necessários para a capacitação (empowerment) e a auto-suficiência das comunidades. A educação e a fé são as únicas coisas que ninguém nos pode tirar. E, neste sentido, investir na educação, e na educação que não sirva apenas para aceitar passivamente, mas para pensar e desenvolver um sentido crítico sobre todas as questões da vida, é um elemento claramente poderoso na possibilidade de criar o ambiente favorável à mudança e ao progresso das sociedades humanas.”

Sobre quem será mais tocado pela mudança – os sectores mais carenciados ou as elites, a investigadora observa: “Seria muito importante que, para além das elites, os mais desfavorecidos pudessem ficar privilegiadamente englobados nestes projectos. As elites só podem provocar mudanças se as massas as conseguirem acompanhar nos projectos de desenvolvimento e progresso da sociedade. De outra forma, vamos apenas pregar sermões às rochas.”

Faranaz Keshavjee “espera que sim”, que as acções destas mulheres possam ajudar a reformar as sociedades, ainda muito conservadoras, “sobretudo aquelas [sociedades] que se consideram muito evoluídas e que, afinal, têm tremendas dificuldades em colocar mulheres em lugares de poder, nomeadamente a portuguesa”.

Sobre se as actividades das primeiras-damas ao dinamizarem a sociedade civil não constituirão um risco para os actuais governantes, Faranaz Keshavjee dá a estes o benefício da dúvida. “Nestes casos concretos [de Mozah e Haya], acredito que os maridos estão a ser bons estrategas. Já perceberam que no Ocidente existem estas fantasias e que adoramos histórias de mulheres subjugadas e que aparecem com poder. Se a intenção era colocar o Qatar e o Dubai nos mapas de poder cultural, social, político e económico, devo reconhecer que estão a ser bem sucedidos.”

Faranaz Keshavjee © centroreflexaocrista.blogspot.pt

Faranaz Keshavjee, membro da Comunidade Ismaili em Portugal e especialista em Estudos Islâmicos
© centroreflexaocrista.blogspot.pt

Este artigo foi publicado originalmente no jornal PÚBLICO em 23 de Novembro de 2008 | This article was originally published in the Portuguese newspaper PÚBLICO, on November 23, 2008

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